O bom e velho Conversa de Botequim voltou em grande estilo às rodas de
bate papo da sociedade alagoana. Na noite desta terça-feira, 4, sob o
comando do jornalista Plínio Lins, o novo ponto de encontro do
programa, o Bar Rapa Nui, na Pajuçara, recebeu o governador Teotonio
Vilela Filho.
Em uma conversa bem descontraída, o apresentador deixou o governador do
Estado bem à vontade dando, de fato, um ar de total informalidade ao
ambiente do Conversa de Botequim. Teotonio Vilela falou sobre os
investimentos que estão chegando à Alagoas, sobre a situação dos cofres
públicos do Estado e a crise financeira mundial, que está afetando a
receita estadual - fator que impede os justos reajustes salariais
pleiteados pelos servidores.
Entre perguntas enviadas pela plateia e questionamentos levantados pelo
próprio jornalista, Teotonio respondeu à Plínio Lins sobre a maior
presença do governador nas ruas para esclarecer à população sobre as
obras estruturais que estão tomando a capital. “O povo não sabe que
certas obras são do Estado e se surpreendem quando sabem que é do
governo”, explicou.
Citando as obras de esgotamento sanitário na baixa Maceió, a
urbanização da Lagoa Mundaú e a construção de casas na cidade, o
governador respondeu ao jornalista que o governo do Estado nunca
realizou tantas obras na capital alagoana. “Estamos realizando um
volume quatro vezes maior que as obras do município. Estamos fazendo um
saneamento básico jamais feito em Maceió, é mais que o dobro da malha
de saneamento existente”, retrucou.
Questionado sobre o relacionamento cortês com o governo federal, o
governador falou de uma ligação republicana entre ele e o presidente da
República, Luís Inácio Lula da Silva. “Além da relação com a União, o
relacionamento com os municípios também é totalmente apartidário. Todos
os municípios são tratados com igualdade” destacou.
Sobre o presidente Lula, Teotonio Vilela frisou ainda que o presidente
tem sido amigo e solidário à situação de Alagoas. Até porque, segundo o
governador, existe um respeito fraternal, já que o velho Teotônio
Vilela foi o único político influente que defendeu os metalúrgicos em
uma greve no ABC paulista em 1976. “Eles escaparam de uma chacina”,
lembrou Teotonio, que ainda recordou que foi parlamentar constituinte
junto com o presidente.
Diante de um público formado de secretários de Estado, deputados,
prefeitos, vereadores, empresários e demais personalidades, o
governador ressaltou a situação crítica que vive as finanças do Estado
devido a queda gradativa da receita estadual durante quatro meses
seguidos. Teotonio também atribui a não-concessão de reajustes
salariais para os servidores públicos ao limite imposto pela Lei de
Responsabilidade Fiscal (LRF). “O Estado não tem condições de conceder
aumentos, pelo menos no momento. Hoje não há caixa. O animador é que a
curva decrescente da arrecadação está mudando de direção e dando sinais
positivos”, disse.
Como ponto importante, avaliou Teotonio Vilela, apesar da crise
financeira, todas as contas e fornecedores estaduais estão recebendo em
dia, dando ao serviço público, segundo ele, austeridade e transparência
à máquina. Para facilitar o trabalho das categorias que pleiteiam
justamente um reajuste, o Governo do Estado propôs, de forma única no
país, pagar um consultor externo para, junto à CUT, formular uma
proposta. “É uma iniciativa pioneira no Brasil. Um governo sentar junto
da CUT e trabalhar uma saída para as demandas”, afirmou.
O entrevistador citou que Teotonio, ainda como senador da República,
foi um dos criadores da LRF e agora, como gestor estadual, é um dos que
mais sofre com as limitações da lei. Plínio Lins perguntou ao
governador se ele acha correta a lei. Teotonio respondeu que ela é
corretíssima, por garantir ao gestor seguinte a governabilidade. “Assim
como os demais gestores, a LRF não me dá folga. O Estado não pode se
endividar além do que pode”, enalteceu o governador.
Questionado sobre o relacionamento com o servidor, o governador
explicou que não é administrador irresponsável e não vai ceder a
pressões. “O exemplo maior foi em 1997, quando o Estado não pôde bancar
os aumentos concedidos e quebrou financeiramente. Prefiro ser vaiado a
ser aplaudido sendo um irresponsável”, respondeu Teotonio Vilela.
Por outro lado, o governador lembrou aos presentes que Alagoas está
revertendo os índices negativos na saúde e segurança pública,
principalmente. “Muitas crianças ainda morrem devido à mortalidade
infantil, porém até julho deste ano conseguimos reduzir em 35% essa
fatalidade”, comemorou. Ele citou como exemplo a cidade de Paulo
Jacinto, que até o mês passado não registrou nenhuma morte de
recém-nascidos.
“Estamos acumulando bons resultados, e como governador me sinto um
samurai defendendo um saco vazio, que representa a reestruturação de
Alagoas. Vou defendê-la até o fim”, exaltou o governador emocionado. E
nesse combate, a sociedade deve se solidarizar à realidade do Estado e
não banalizar e fomentar o caos.
Como avanços, os investimentos estão chegando para duplicação da AL 101
Sul vai garantir que a obra seja concluída até julho de 2010, assim
como a reestruturação da ferrovia que liga Alagoas à Bahia e
Pernambuco. “Estaremos inaugurando até janeiro do ano que vem”,
garantiu Teotonio.
Conforme assegurou o governador, a meta dele é cumprir os compromissos
com o povo alagoano. “Temos feito o melhor em todas as áreas com uma
visão responsável e amável”, definiu. Teotonio Vilela ainda citou a
construção de 25 mil casas em todo o Estado, assim como também os
programas de geração de renda no Sertão alagoano, a exemplo do fomento
à ovinocapricultura.
“Nunca me senti tão pleno como político, quanto agora como governador
do Estado”, manifestou Teotonio Vilela. Finalizando a entrevista, ele
conclamou a sociedade e o setor empresarial a darem as mãos para
resgatar Alagoas e lançou uma nova mentalidade social.
“Devemos mudar o pensamento de eleger um governador a cada quatro anos
e abandoná-lo. Em seguida, se ele der certo ou não, tirá-lo. Temos que
acompanhar e nos irmanarmos com a ideia de mudar e participar cada vez
mais. Apenas unidos teremos sucesso nessa batalha”, completou o
governador.
Estamos acumulando bons resultados, afirma o governador em entrevista
05/08/2009, 12:00 - Política
Por annaclaudia
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