Depois do "auge" da crise, que levou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) aos 29 mil pontos, o mercado brasileiro se recuperou e fechou o mês de julho com valorização acumulada de 45,84% no ano de 2009. Para quem está interessado em investir no mercado financeiro, o G1 preparou um guia com os termos que quem compra ou vende ações precisa saber.
O investimento em ações pode ser feito por meio de fundos oferecidos pelos bancos de varejo, mas quem tem dinheiro guardado pode investir diretamente, escolhendo quais ações comprar, pelo "home broker". Se optar por esta última opção, não pagará taxa de administração.
Entretanto, mesmo se fizer o trabalho em casa, sozinho, o investidor obrigatoriamente tem que contratar uma corretora, por meio da qual comprará e venderá as ações. As corretoras cobram taxas por seus serviços, para a compra e venda de ações, e também orientam os investidores.
Para Patrícia Quadros, gerente de popularização da Bovespa, quem quer investir em ações precisa se aprofundar no assunto e buscar informação. Segundo ela, nos cursos gratuitos que a Bovespa oferece sobre o mercado de ações, ainda surgem muitas dúvidas sobre conceitos como ações e dividendos, entre outros.
Valores
Para Samy Dana, professor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, o interessado em investir valores muito baixos deve preferir os fundos. Mas, a partir de cerca de R$ 1 mil, já pode valer a pena investir diretamente.
Para escolher uma corretora, “não custa checar no site da Bovespa e fazer uma pesquisa”. “As taxas cobradas variam muito e algumas são especializadas em pequenos investidores”, diz Dana.
O especialista diz que, hoje, aconselharia o pequeno investidor a deixar no máximo cerca de 30% de seu dinheiro em ações. Com a queda do juro básico, a Selic, o rendimento dos fundos de renda fixa tende a cair. Por isso, segundo o professro, “não dá mais para ignorar a bolsa como investimento”.
Diversidade e liquidez
O professor da FGV diz que os principais pontos a que o pequeno investidor deve ficar atento são a diversificação e a liquidez dos papéis. Segundo ele, estudos mostram que o ideal é investir em oito ou nove ações, para ter um bom nível de diversificação sem pagar muitas taxas e sem ter muito trabalho para acompanhar as notícias sobre as empresas.
Ele aconselha também que o pequeno investidor escolha ações que compõem o índice Bovespa, pois elas são mais líquidas – isso significa que é possível encontrar compradores e vendedores para elas facilmente. Assim, o risco é menor.
Keyler Rocha, professor do curso de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), diz que é essencial pensar no longo prazo. “Ação é para ser comprada, você só vai vender para comprar outra. Deve-se comprar pensando em um prazo longo, por exemplo na aposentadoria”, diz ele.
Ele aconselha ainda que as compras sejam feitas aos poucos. “Assim, se você comprar um pouco a um preço alto e um pouco a um preço baixo, na média você ganha”, explica.
Para ele, as ofertas primárias e secundárias de ações são boas oportunidades para o pequeno investidor comprar, pois normalmente consegue-se um preço um pouco abaixo do mercado para comprar os papéis. Recentemente, empresas como Natura e Brasil Foods fizeram vendas de ações no mercado.
Interessado em investir em ações? Veja guia do G1 sobre mercado financeiro
03/08/2009, 02:31 - Brasil/Mundo
Por eduardocardeal
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