O presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Miguel D'Escoto, anunciou na Bolívia que solicitou a nomeação de um relator especial para acompanhar a situação dos direitos humanos em Honduras, após o golpe de Estado nesse país. O anúncio foi feito neste sábado (29).
"Solicitei ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra que nomeie um relator especial sobre os direitos humanos em Honduras", disse D'Escoto, em entrevista coletiva oferecida em La Paz.
Manuel Zelaya foi derrubado em 28 de junho, quando as Forças Armadas de seu país o capturaram e o expulsaram para a Costa Rica. Depois, o Congresso hondurenho aprovou a destituição e nomeou como presidente Roberto Micheletti, até então titular dessa Câmara.
O presidente da Assembleia Geral da ONU, que foi ministro de Exteriores da Nicarágua entre 1979 e 1990 durante o primeiro governo sandinista, disse hoje que é "difícil compreender que militares que foram sempre empregados do império [alusão aos EUA] se atrevam a fazer algo sem o apoio do império".
O governo do presidente boliviano, Evo Morales, e o do venezuelano, Hugo Chávez, também acusaram os Estados Unidos de ter favorecido o golpe de estado em Honduras por meio do Comando Sul.
No entanto, desde o momento em que aconteceu o golpe, a administração do presidente americano, Barack Obama, reconheceu Zelaya como o único "presidente constitucional" de Honduras.
A respeito, D'Escoto disse hoje que "nem tudo o que é feito nos EUA passa pela aprovação do presidente, menos ainda quando está há pouco tempo no governo".
O representante, que chegou a La Paz para declarar Morales como "Herói Mundial da Mãe Terra", reiterou suas críticas ao acordo militar entre Colômbia e EUA, ao indicar que o mesmo "não concorda" com a mudança prometida por Obama.
"Temos que ficar sempre atentos e lutando pela causa da paz", concluiu.