O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) pediu nesta quarta-feira mais transparência da Colômbia sobre o possível acordo militar com os Estados Unidos, um dos elementos da nova crise diplomática entre colombianos e venezuelanos. As declarações foram feitas durante encontro com o ministro das Relações Exteriores do Egito, Aboul Gheit.

"Eu acho, pessoalmente, que se há uma preocupação em relação a um novo acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos, seria bom, digo isso no total espírito de amizade, que a Colômbia, transparentemente, diga o que é, para que as pessoas ouçam e vejam. Para que possa haver uma discussão. Inclusive, com esse objetivo foi criado o conselho de defesa", disse Amorim, em referência ao Conselho de Defesa Sul-americano (CDS).

O organismo foi estabelecido em março pelos países da União de Nações Sul-americanas (Unasul), com o objetivo declarado de fortalecer a confiança mútua através da integração, do diálogo e da cooperação em matéria de defesa.

Nesta terça-feira, o presidente da Venezuela Hugo Chávez anunciou que convocou de volta o embaixador venezuelano em Bogotá e "congelou" as relações com o país vizinho. Chávez tomou essas medidas como reação às acusações de desvio de armas --lança-foguetes de fabricação sueca-- vendidas à Venezuela para os guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Nesta quarta-feira, o governo colombiano afirmou que havia advertido a Venezuela desde 2 de junho sobre a posse das armas.

Amorim diz não ter conversado com os diplomatas dos dois países, mas garantiu que vai concentrar seus esforços para uma reconciliação. "Eu não tive tempo de falar com ninguém. Não posso me basear em notícias de jornais. Não conversei com meus colegas da Venezuela e nem da Colômbia. O que posso dizer é que o Brasil naturalmente sempre trabalhou, como fez no passado, para uma amizade e reconciliação entre os dois países. Ambos são amigos e têm boa relação com o Brasil".

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, defende o incremento da cooperação militar com Washington para fortalecer o combate ao narcotráfico e a guerrilhas. As negociações para o novo acordo, que prevê o uso de bases militares colombianas pelos EUA, foram iniciadas depois que o Exército americano devolveu em julho as instalações da base militar de Manta ao governo do Equador. A base servia como o centro das operações dos EUA na região há pelo menos uma década.