Os oficiais que combateram a guerrilha do Araguaia foram instrutores da turma da Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) em que se formou o general Mário Lúcio de Araújo, comandante logístico da atual busca das ossadas dos cerca de 60 desaparecidos no conflito. De 1974 a 77, os cerca de 400 cadetes da turma receberam ensinamentos sob a influência do êxito militar da campanha.
Os instrutores que derrotaram a guerrilha comunista eram adorados pelos alunos, disse à Folha um coronel da reserva. Desde então, a vitória na guerrilha virou referência para o Exército em treinamentos e instruções de combate na selva.
Na classe, também estava o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), capitão da reserva do Exército. Bolsonaro disse que as aulas sobre as estratégias do combate desenvolvido contra os guerrilheiros rurais enviados à selva amazônica pelo então clandestino PC do B mostraram aos cadetes quais eram as intenções "daquela cambada comunista".
À Folha, em entrevista na semana passada, o general Araújo, 53, não foi tão incisivo quanto os colegas de turma. Ele chegou a negar que tenha assistido, na Aman, a aulas sobre o Araguaia. Falou apenas que a classe conheceu as doutrinas militares de ações antiguer- rilha, sem o estudo do caso específico do Araguaia.