O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quinta-feira a tramitação de projetos no Congresso Nacional. Ao assinar a mensagem que encaminha o projeto de lei que institui o Vale-Cultura, em São Paulo, Lula admitiu que há burocracia no Poder Legislativo mas evitou enviar uma medida provisória para evitar críticas.

"É importante que vocês compreendam porque demora um projeto desse. Isso passa por uma tramitação na burocracia estatal. [...] A gente não queria a mandar uma medida provisória porque tem gente que diz que o Congresso não anda por causa de medida provisória. Então nós resolvemos mandar um projeto de lei com urgência, urgentíssima, o que significa que dentro de 45 dias esse projeto deverá ser votado primeiro na Câmara e depois no Senado", afirmou Lula para uma plateia de artistas.

O presidente também admitiu que governar é mais difícil do que fazer oposição. "A diferença entre fazer oposição e fazer festão é muito diferente. Porque quando você é oposição tudo é fácil, é só falar. Quando você chega no governo você tem que fazer e vencer as burocracias. Não só dos adversários mas da estrutura da máquina que é secular, e ela não é fácil", disse.

Apesar de criticar a burocracia, o presidente disse acreditar que o projeto do Vale-Cultura será votado rapidamente no Congresso devido às eleições de 2010. "Em época de eleição, mesmo quem é contra vota favorável", afirmou.

O Vale-Cultura será similar ao já conhecido vale-alimentação. Trata-se de um cartão magnético, com saldo de até R$ 50 por mês, por trabalhador, a ser utilizado no consumo de bens culturais.

Ao contrário de outros discursos, o presidente evitou falar sobre a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata à Presidência pelo PT, que também o acompanhava na cerimônia.

"Eu não vou ler a nominata porque a Zezé Motta [atriz] leu tantas vezes o nome da Dilma que se tivesse um juiz eleitoral aqui, a Dilma já estava prejudicada", afirmou.