O Ministério Público Federal confirmou nesta quarta-feira o pedido de quebra do sigilo bancário do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia e do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi. A solicitação foi realizada pelo procurador da República no Distrito Federal Gustavo Veloso Pessanha, que coordena as investigações do suposto esquema de desvio de recursos públicos em operações de crédito consignado para servidores do Senado que envolveria os ex-diretores.

O pedido de quebra do sigilo bancário ocorreu em maio, mas não teve publicidade. O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), conversou sobre o caso na noite de ontem com o novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e foi informado da solicitação. Ao deixar a posse de Gurgel na manhã desta quarta-feira, o corregedor informou que o pedido de quebra teria partido do novo procurador-geral.

Segundo a assessoria da Procuradoria Geral da República, Gurgel não teria atribuição para quebrar o sigilo dos ex-diretores porque eles não possuem foro privilegiado. O Ministério Público pediu em maio à Polícia Federal abertura de inquérito para investigar as operações de crédito consignado do Senado. O delegado Gustavo Buque é o responsável pelo caso. A PF enfrentou dificuldades para avançar nas investigações por causa da resistência do Senado em repassar documentação sobre o caso.

As investigações sobre o suposto esquema começaram pela Polícia Legislativa. Zoghbi foi indiciado em abril pela Polícia do Senado por formação de quadrilha e falsidade ideológica. No entendimento da Polícia Legislativa, o objetivo de Zoghbi ao autorizar empréstimos acima do valor teria sido beneficiar as empresas do filho Marcelo Zoghbi, que intermediavam esse tipo de empréstimo para o Senado.

As empresas, no entanto, estão no nome da ex-babá de Zoghbi, Maria Izabel. A parceria da Contact, da DMZ Consultoria Empresarial e da DMZ Corretora de Seguros com o Senado teria sido responsável pelo faturamento de R$ 3 milhões registrado pelas empresas.