O prefeito da Barra de São Miguel, Reginaldo Andrade, esteve reunido na tarde desta terça-feira, na sede da Câmara Municipal, com integrantes da Defensoria Civil, do Ministério Público e dos moradores. O objetivo foi discutir e informar o andamento da ajuda do governo municipal para os desabrigados e moradores da zona de risco, que foram afetados com as fortes chuvas do mês de maio.

Participaram do encontro, o coordenador da Defesa Civil do Estado, coronel Jadir Ferreira, o promotor do Ministério Público, Magno Alexandre, o representante da Defesa Civil do município, Messias, os vereadores, secretários municipais e a comunidade barrense.

Propostas foram discutidas e uma delas foi colocada na pauta principal: a possível utilização da verba destinada para a construção dos galpões, para a aquisição dos terrenos, o que facilitaria e diminuiria os gastos do Governo Estadual e Federal na construção das residências.

“Estamos preocupados com o que está passando essas famílias. Temos mantido todo tipo de assistência necessária para os moradores”, enfatizou o prefeito, citando que a dificuldade maior é na compra do terreno, já que o município tem o metro mais caro do Estado. “Com a ajuda do Governo do Estado, estamos avaliando valores de terrenos”, completou.

De acordo com Reginaldo, existe a preocupação por parte da prefeitura em resolver o problema mais rápido possível e que o resultado da avaliação do geólogo – que deverá acontecer na próxima segunda-feira - direcionada pela Defesa Civil, pra saber se a área ainda é de risco, trará mais agilidade, apesar do processo ser demorado, na questão da construção ou não das casas.

“Não seriamos nunca irresponsáveis em colocar pessoas lá, sabendo que poderia ocorrer novamente uma tragédia. Alojamos temporariamente as famílias na sede do Peti (Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil) e na creche, enquanto não se solucione o problema”, contou Andrade.

O prefeito lembrou que a Câmara de Vereadores está dando total apoio e que os galpões, que deverão ser construídos, serão abrigos temporários e não definitivos. “Não estamos enganando a ninguém. Vamos resolver tudo o que dê pra fazer. Ninguém vai ficar eternamente nos galpões”, esclareceu.

“Temos problemas de habitação também em uma favela, que não é local de ninguém se viver, e na Zona Rural e queremos solucionar tudo o quanto antes”, acrescentou o prefeito, sugerindo ainda que seja realizada uma revisão nos terrenos que possuem área de interesses sociais, para que sejam desapropriados e logo facilite a construção das residências para as famílias.

De acordo com números da Defesa Civil através dos órgãos competentes, no dia da tragédia, 13 de maio, em poucas horas choveu na Barra de São Miguel cerca de 120 mm, o que corresponde a dez dias de chuva sem parar. Sendo que toda chuva acima de 50 mm, é acionado como um forte risco para qualquer cidade do Estado.

“Nenhum município tem a capacidade de escapar de forma ilesa dessa quantidade que a Barra recebeu. O município não está preparado pra uma ocasião como essa e o estado tem dificuldades, mas, ambas as administrações têm feito sua parte”, falou o coronel Jadir Ferreira, informando ainda que na semana passada chegou a ajuda de colchões e que nos próximos dias eles estarão sendo entregues a população.

“Não é coerente ou correto, colocar pessoas nas escolas, creches, mas foi o que se deu pra fazer. O Município não tem áreas. Pra se desapropriar é muito difícil. A construção das casas depende da elaboração de um projeto para que possam ser liberados os recursos e tem que ter a participação do Governo do Estado e Federal”, afirmou.

Ferreira explicou que o secretário Adjunto de Estado de Infraestutura, Fernando Nunes, lhe confirmou a liberação de R$600 mil para a construção dos abrigos temporários e que pela gravidade maior, a Barra de São Miguel será contemplada com mais da metade do valor, chegando a cerca de R$450 mil.

“Para a construção de três abrigos, estamos esperando a decisão da Procuradoria Geral para que ela despreze a licitação e possamos com a obra garantir segurança pública”, concluiu o coordenador, pedindo ainda à população que ainda permanece em moradia no local da tragédia, que se conscientize de que a vida é mais importante do que tudo.

No final da reunião, ficou definido um novo encontro, na próxima terça-feira, 28, e que a prefeitura fará convites as construtoras das obras, onde ocorreu o deslizamento, e representantes do governo do estado, de preferência o secretário estadual de Infraestrutura, Marcos Fireman, para que estejam presentes.