Noite de domingo 15 de setembro de 2002, uma L-200, veículo da Secretaria de Estado Meio Ambiente, percorre a avenida Colares Moreira no Renascença, bairro nobre de São Luís. Em uma fração de segundos, alguém atravessa a pista repentinamente, o motorista, surpreso com a imprudência do pedestre, tenta desviar, mas não há tempo para evitar o choque fatal em Antônio Alves dos Santos, 42 anos, vigia da empresa Mark Pedras.
A cena acima traduz o laudo feito pelos peritos, encarregados de apurar a forma como ocorreu o acidente. Assinado por Walber Nunes Nogueira e Miguel Alves Silva Neto, o documento traz também a assinatura de José de Ribamar Cruz Ribeiro, diretor do Instituto de Criminalística (Icrim) o laudo é taxativo ao afirmar como causa determinante do fato: “o comportamento do pedestre por ingressar na pista sem tomar os devidos cuidados e precauções”.
O motorista do veículo não foi identificado e o caso investigado pela Delegacia de Acidentes de Trânsito (DAT). Sete anos depois uma testemunha apresenta a polícia o nome do motorista: Charlys Wagner Rodrigues da Silva e aponta o envolvimento de Othelino Neto e Edwin Jinkings, secretários de Governo e Comunicação da prefeitura de São Luís, indiciados esta semana no inquérito. Na época, Othelino Neto era secretário de Meio Ambiente do governo José Reinaldo e Edwin Jinkigs ocupava o cargo de assessor de imprensa da secretaria.
A reportagem de O IMPARCIAL ouviu o advogado Fabiano de Cristo Rodrigues, advogado de Othelino Neto e Edwin Jinkigs Ele assegura que os dois somente agora tomaram conhecimento do acidente. Durante a entrevista ele apresentou o laudo do Icrim sobre o caso indicando a imprudência do pedestre como causa do acidente e define como “criativo e fantasioso” o inquérito no qual seus clientes são indiciados.
O IMPARCIAL - Quais as imputações atribuídas aos seus clientes pelo inquérito. Por quais crimes eles foram indiciados?
Fabiano de Cristo - O Othelino Neto está sendo indiciado por condescedência criminosa e favorecimento pessoal e o Edwin Jinkings por favorecimento pessoal. Eles estão respondendo por estes dois crimes acusados de esconder o carro de conservá-lo de forma clandestina. No inquérito eles aparecem como tendo sido procurados (pelo Charlys) na casa dele. No entanto, só agora eles tomaram conhecimento deste acidente.
Existem testemunhas que afirmam as acusações imputadas contra seus clientes no inquérito?
Existe o testemunho de um cunhado e inimigo do Charlys, o Leornado de Jesus Sousa Cardoso. O Othelino Neto já assinou várias procurações para que eu inicie uma série de ações contra ele. Em uma vingança do Leonardo contra o Charlys que é seu cunhado e inimigo, ele acabou, não sei também a pedido de quem, contando uma história fantasiosa para justificar o indiciamento do Othelino e do Edwin.
Seus clientes correm risco de após a conclusão do inquérito serem alvos de ação penal na Justiça?
Não tenho dúvida de que pela fragilidade do inquérito talvez eles não sejam nem denunciados e se forem serão absolvidos. O inquérito é algo muito criativo muito frágil. Após conclusão ele irá para o Ministério Público para oferecer o não a denúncia. A gente espera que um promotor de bom senso não albergue esta história.
Laudo mostra inquérito “fantasioso”
20/07/2009, 03:33 - Brasil/Mundo
Por eduardocardeal
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