Em um texto do blogueiro Josias de Souza, da Folha de São Paulo, o ministro do STF Gilmar Mendes fala pela primeira vez sobre sua decisão de cassar a liminar do juiz Gustavo Souza Lima que afastava os deputados acusados de desviar mais de R$ 300 milhões.
No início do ano, Gilmar já havia restituído o mandato de outros dois deputados alagoanos. O par de decisões provocou a revolta do Ministério Público. Em privado, Gilmar alega que sua decisão foi técnica. Os deputados haviam sido afastados no âmbito de uma ação de improbidade administrativa. Um tipo de ação que serve para bloquear bens e tentar reaver a verba desviada, mas não seria ferramenta adequada para interromper mandatos legislativos. Parte dos deputados encrencados de Alagoas é acusada também de envolvimento em crimes de mando.
De acordo com o jornalista, Gilmar Mendes explicou que não existe denúncia do Ministério Público e acredita que o afastamento feito por meio da ação de improbidade passa para a sociedade a falsa idéia de que o problema está sendo enfrentado.
Nessa mesma conversa, o presidente do STF repetiu: "ações de improbidade não se prestam a afastar detentores de mandatos". Ele afirmou que "se a moda pega, daqui a pouco vão tirar 50 senadores do Congresso por alguns dias, só para votar um ou outro projeto polêmico".
Sobre os deputados de Alagoas, Gilmar disse ao interlocutor: "Se são culpados, eu quero mais é que sejam punidos exemplarmente. Mas é preciso fazer da maneira certa"
Gilmar disse ainda que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) promoverá uma espécie de "arrastão" judicial no Estado de Alagoas. A missão alagoana foi guindada à condição de prioridade por ele.
Em privado, Gilmar refere-se a Maceió como "capital nacional do crime de mando". O ministro escora a constatação num dado objetivo. Há em Alagoas cerca de 500 homicídios pendentes de investigação. Nem mesmo o inquérito policial foi aberto.
Vão a Alagoas juízes e técnicos selecionados pelo ministro Gilson Dipp, corregedor nacional de Justiça. A iniciativa faz parte de um programa chamado "Integrar". Visa dar apoio aos tribunais, reformulando práticas e tonificando estruturas.