Após o desabamento em uma obra sem licença em Capão da Canoa, no litoral norte gaúcho, que deixou quatro mortos e um ferido, neste domingo, a prefeitura do município promete aumentar a fiscalização sobre obras.

O vice-prefeito Alzemiro Pereira Raupp (PPS) admite que não sabe se foi pedida uma licença para a obra que estava sendo feita nos fundos do Edifício Santa Fé, na Avenida Beira-Mar, 1.479.

— Esse acontecimento não vai abalar a nossa construção civil em Capão da Canoa porque foi um caso isolado em um prédio antigo. A gente sente pelas pessoas que perderam a vida mas, com certeza, vamos tirar uma lição dessa tragédia e criar uma forma de aumentar as vistorias nas obras mais antigas do município — diz ele.

— Vou conversar com o prefeito (Amauri Magno Germano, do PT) e vamos fazer um projeto de lei para que todas as obras com mais de cinco anos sejam vistoriadas pela prefeitura. Vamos fazer uma varredura para evitar outros problemas — completa.

Segundo ele, nesta segunda-feira engenheiros da prefeitura vão retornar ao prédio, construído em 1982, para continuar a perícia que começou a ser feita neste domingo por uma equipe do Instituto-Geral de Perícias.

— Pequenos detalhes como troca de reboco e pintura não precisam de licença. Temos de ver com calma o que foi feito no local — explica o vice-prefeito.

O secretário de Obras e Infra-estrutura, arquiteto Tupi Feijó, já havia confirmado que as obras realizadas até agora no edifício não tinham licença. Ele diz que a perícia vai verificar se esse licenciamento era necessário, já que autorização municipal não é imprescindível para pequenos consertos:

— O certo é que a empresa já estava trabalhando, há marcas nas colunas que indicam que aquilo foi mexido. Vamos ver se a profundidade exigia licenciamento.

A imobiliária que administra o prédio, a Contamec, e o empreiteiro que realizou reformas, Selino Cardoso (da empresa Quadros e Cardoso Ltda.) interpretam que não era necessária licença para efetuar os consertos no prédio. Licenciamento na prefeitura, acreditam os responsáveis pelo prédio, só se as obras fossem estruturais.

As vítimas

Simone Celiberto, 31 anos, e seu filho Rodrigo Celiberto dos Santos, cinco, o síndico Joel Dieter, 57, e a mulher dele, Marisa Preussler, 55, morreram no desabamento.