A Receita Federal, com apoio da Polícia Federal e do Ministério Público
Federal, iniciou nesta terça-feira (14) a Operação Porto Europa, para
combater um suposto esquema de importação fraudulenta de artigos de
luxo pela loja de decoração e perfumes da empresária Tânia Bulhões, no
Jardim Europa, área nobre de São Paulo.
Segundo a assessoria de imprensa da Receita, a ação, que acontece em
duas residências, duas lojas de decoração e dois escritórios de
contabilidade, busca apreender provas contra a empresária.
Com
mandados expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, até o momento
puderam ser apreendidos R$ 537 mil em dinheiro e R$ 1,6 milhões em
cheques no cofre de uma das lojas, três computadores e seis HDs,
notebooks, pendrives e muitos documentos, que apontam para a existência
de offshores nas Ilhas Virgem, que seriam usados na remessa de divisas
e lavagem de dinheiro. As faturas verdadeiras das compras que foram
apresentadas à Receita com valor subfaturado também foram encontradas.
A
organização, suspeita de crimes de descaminho, sonegação fiscal e
falsidade ideológica, vinha sendo investigada há um ano e a Receita
acredita que o grupo usou laranjas e práticas de subfaturamento nas importações entre 2004 e 2006. Ninguém foi preso.
O esquema consistiria em substituir nos documentos de importação os
reais importadores e fornecedores por tradings brasileiras e empresas
exportadoras de fachada sediadas em Miami, nos Estados Unidos.
Duas
exportadoras foram descobertas sediadas no mesmo endereço na cidade
americana. Uma simulava a aquisição dos reais fornecedores e a outra se
encarregava de remeter as mesmas mercadorias ao Brasil com valores, em
média, a 30% dos valores originais. As faturas falsas eram apresentadas
à Receita durante a importação.
A Receita explica ainda que
agora os documentos apreendidos serão confrontados com os documentos
entregues pela empresa na hora de serem contabilizados os impostos. A
partir disso, será possível calcular o quanto teria sido sonegado.
A
assessoria de imprensa da Tânia Bulhões informou que os advogados da
empresa não foram acionados legalmente e, por isso, não podem comentar
a operação.
Caso Daslu
Em julho de 2005, a loja Daslu
foi investigada na megaoperação Narciso, também da Receita Federal e da
Polícia Federal. Os donos Eliana Tranchesi e seu irmão Antonio Carlos
Piva de Albuquerque chegaram a ser presos, acusados de importação
irregular por meio de crimes de descaminho e sonegação fiscal.
A
Daslu subfaturou importações com o objetivo de sonegar impostos, em um
esquema parecido com o que a Receita Federal suspeita que aconteça nas
lojas da empresária Tânia Bulhões: comprando mercadorias no exterior e
usando importadoras ("tradings"), que falsificavam faturas com valores
subfaturamento. Na época, o procurador disse ter encontrado
subfaturamento de até 9.374% nas mercadorias da Daslu.
Em abril
de 2008, o Ministério Público Federal em Guarulhos pediu a condenação
de sete envolvidos no esquema: Tranchesi, seu irmão e cinco donos de
quatro importadoras. A empresária foi condenada, em primeira instância,
a uma pena de 94 anos e meio de prisão por fraude em importações,
formação de quadrilha e falsidade ideológica.
Operação em loja de luxo suspeita de fraude em importação apreende mais de R$ 2 mi
15/07/2009, 01:00 - Brasil/Mundo
Por teresa
Comentários
Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Carregando comentários..