Um dos programas mais criticados pela oposição ao governo Lula, o Bolsa Família ganhou uma versão atualizada e ampliada, com um detalhe: foi elaborada pelo partido mais crítico ao governo, o DEM, e lançada nacionalmente ontem, na cidade de Paulo Afonso, a 466 quilômetros de Salvador. Batizado de Agenda Família, o programa é chamado pelo DEM de um "passo à frente do Bolsa Família", pois tem o objetivo de resolver outras necessidades de famílias carentes.
O lançamento serviu também para reafirmar a aliança entre tucanos e democratas, criticar o governo Jaques Wagner (PT) e reforçar a candidatura do ex-governador Paulo Souto (DEM) ao governo baiano.
Presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PE) foi chamado a se comprometer com o DEM e absorver o novo Agenda Família no projeto de governo a ser proposto pela candidatura tucana à Presidência da República. Aceitou a proposta:
- A primeira grande responsabilidade que temos é continuarmos unidos (com o DEM).
O Agenda Família foi criado durante a derrotada candidatura do deputado ACM Neto (DEM) à prefeitura de Salvador. Para ele, faltava à oposição uma "bandeira forte" na área social.
- Não tínhamos um programa social forte, mas acho que agora temos - disse.
Neto nega que a oposição fazia críticas ao Bolsa Família:
- Isso foi tentativa de nossos adversários de colar esse pecha. O Bolsa Família nasceu com o senador Antonio Carlos Magalhães no Fundo de Combate à Pobreza. Só dizíamos que o Bolsa Família não era suficiente.
A proposta do DEM é diagnosticar problemas sociais dos beneficiários do Bolsa Família e propor soluções. Neto nega que a iniciativa seja uma tentativa de neutralizar o forte apelo eleitoral do PT com o Bolsa Família:
- Essa leitura diminuiu o propósito do projeto, que não é eleitoral.
O Bolsa Família atende cerca de 11 milhões de famílias no Brasil. O novo programa do DEM começa em Paulo Afonso, onde 35 famílias passaram a ser acompanhadas desde sexta-feira.
O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, disse que houve êxito do governo Lula na unificação dos programas sociais de transferência de renda e, seguindo a linha de todos os que discursaram no evento, negou críticas ao programa federal.
O cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia Paulo Fábio prevê que a disputa das eleições de 2010 será marcada por um debate sobre quem tem mais cacife para gerir programas sociais. Mas ele critica a falta de um debate mais amplo sobre as desigualdades sociais.
- Não vejo nos dois projetos, do governo e da oposição, uma discussão sobre o problema da desigualdade social, que é diferente do problema da pobreza. Para se bulir na desigualdade é preciso discutir a política econômica.