As afirmações de um convidado ausente – o embaixador da Venezuela, Julio García Montoya – movimentaram o último debate sobre a adesão daquele país ao Mercosul, promovido ontem pela CRE.
O presidente da comissão, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), enviou de volta ao embaixador a carta por meio da qual este explica a sua ausência. O documento foi considerado hostil e desrespeitoso em relação ao Senado pela maioria dos integrantes do colegiado.
Na carta, enviada por fax, Montoya considera "pelo menos inconveniente para a consolidação dos interesses do Estado brasileiro" que se limite a discussão a respeito do ingresso de seu país no bloco ao "jogo de interesses de particularíssima condição política". Para o embaixador, se ainda existem dúvidas sobre o tema, elas seriam "de caráter ideológico e até pessoal". Por isso, concluiu que sua presença no debate "não faria nenhuma diferença".
Para Arthur Virgílio (PSDB-AM), o embaixador agiu de forma "politicamente inábil".
O relator do protocolo de adesão, Tasso Jereissati (PSDB-CE), informou ter dito a Montoya que não havia restrição ideológica a seu país, mas sim um cuidado técnico com o tema. Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) também considerou "descortês" a atitude do embaixador.
A carta não é "nem diplomática, nem civilizada", afirmou Fernando Collor (PTB-AL), que apresentou requerimento de voto de censura a Montoya.
Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) adiantou que não votaria a favor do requerimento de Collor, pois preferia manter o diálogo com o embaixador.
Heráclito Fortes (DEM-PI), então, sugeriu que, em vez de aprovar um voto de censura, a comissão devolvesse a carta, por meio do Ministério das Relações Exteriores.
O requerimento foi colocado em votação e recebeu 4 votos favoráveis e 5 contra, e a proposta de Heráclito prevaleceu.
Comissão devolve carta de embaixador venezuelano
10/07/2009, 16:00 - Brasil/Mundo
Por carlinhos
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