A ex-prefeita de Estrela de Alagoas, Ângela Garrote, vai continuar detida no Presídio Feminino Santa Luzia. Garrote teve o pedido de habeas corpus negado pelo Tribunal de Justiça de Alagoas, cuja decisão está publicada no Diário oficial do Estado de hoje.

Os advogados da ex-prefeita alegam que os juízes da 17ª Vara Criminal da Capital não têm competência para julgar o caso. Além disso, afirmam que o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) feriu o princípio do promotor natural.

O pedido foi negado pelo Desembargador Orlando Manso.

Acusada de homicídio

O Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) e a 4ª Promotoria Criminal de Palmeira dos Índios pediram a prisão preventiva da ex-prefeita de Estrela de Alagoas, Ângela Garrote, e de mais dois mandantes da tentativa de homicídio do vigilante Clerisvaldo Pereira de Lima, crime ocorrido em novembro de 2005, no Posto Bola, que fica nas margens da BR 316, no trecho que corta o município. Além dos três, também participou da ação criminosa, como executor, o policial militar Jeovani Gomes de Aquino que já está preso no presídio militar. Ângela Garrote foi presa no fim da tarde do dia 23 de maio.

O Ministério Público Estadual pediu aos juízes da 17ª Vara Criminal, que combate o crime organizado, o aditamento do nome dos três na denúncia que já foi apresentada a Justiça Estadual. Os magistrados decretaram a prisão da ex-prefeita e dos dois mandantes que vão responder pelos crimes de tentativa de homicídio por motivo torpe, promessa de recompensa e emboscada, todos figurados no Código Penal Brasileiro. Segundo os promotores do Gecoc, o crime foi planejado pelo grupo pelas divergências políticas em Estrela de Alagoas, o que inspira a presença de uma organização criminosa especializada em crimes de pistolagem na região.

Neste caso a ex-prefeita negociou com dois intermediários para que contratassem executores com o objetivo de matar o adversário. Foi então que o policial militar Jeovani Gomes de Aquino acertou o valor de R$ 10 mil para matar o desafeto do grupo. O PM, inclusive, já era investigado por outro assassinato em Palmeira dos Índios. No momento da emboscada, os disparos não acertaram a vítima que conseguiu fugir e denunciar o caso a Polícia Civil. Na época, o vigilante chegou a dizer em depoimento que ninguém no município teria coragem de testemunhar contra a então prefeita.

Mesmo escapando da emboscada em Estrela de Alagoas, Clerisvaldo Pereira de Lima viria a ser sequestrado e assassinado em junho de 2006, no município de Pão de Açúcar.