O cultivo de pinha tem sido a principal fonte de renda para muitos agricultores familiares nos municípios de Palmeira dos Índios, Igaci e Estrela de Alagoas. Mas a ausência de dados e a necessidade de uma política pública voltada para o setor, levou o governo do Estado a implantar o Arranjo Produtivo Local (APL) Pinha no Agreste. Com a medida, serão beneficiados 300 produtores da região.
Juntas, as três localidades respondem por aproximadamente 90% da produção de pinha em Alagoas. Através do projeto governamental, instituído oficialmente em novembro do ano passado, estão sendo realizadas ações para promoção e desenvolvimento sustentável da atividade.
Nos seis primeiros meses de existência do APL Pinha no Agreste, além de oficinas tecnológicas, também foram realizados três cursos do projeto Despertar Rural, nos quais os produtores receberam orientações sobre gestão de suas propriedades, comercialização e manejo correto da cultura agrícola.
“Ainda realizamos oficina para a criação da marca para o APL, que passa a ser conhecido como Triângulo da Pinha. Também planejamos e definimos as ações de marketing, gestão, capacitação, tecnologia e infraestrutura”, destacou Guilherme Belmonte, coordenador do APL Pinha no Agreste.
Com essa organização do setor, de acordo com Belmonte, o APL deve garantir o aumento da produtividade com qualidade e assim conquistar novos mercados, garantindo ocupação e renda para as famílias dos agricultores. Ele afirma ainda que neste primeiro ano do projeto estão sendo atendidas 90 famílias.
Guilherme informa que as prioridades em execução incluem a realização de diagnóstico, por meio do qual eles traçam o perfil da produção e definem as ações de forma planejada, para atender às necessidades dos produtores da região.
Algumas famílias já começam a comemorar este novo impulso para a produção da pinha e esperam ampliar ainda mais os rendimentos com a comercialização, como é o caso de Joseildo Henrique da Rocha. Morador do povoado Coité das Pinhas, em Igaci, ele trabalha há 16 com a distribuição da fruta para municípios de Alagoas, Pernambuco e Sergipe.
“Aqui ninguém sabe a data em que o cultivo da pinha começou em nossa região, mas que a fruta é o principal produto todos sabemos”, enfatizava o comerciante, enquanto preparava mais uma carga para seguir viajem. “Vou buscar mais pinhas em Estrela de Alagoas, para levar para Aracaju”, completava.
Joseildo Rocha lembrava ainda a importância da produção da fruta para a economia local, ao citar que comerciantes de estados como o Rio Grande Norte e Bahia vêm constantemente à região do “Triângulo das Pinhas” em busca do produto.
E quem segue pelas rodovias entre Igaci, Palmeira dos Índios e Estrela de Alagoas vai se deparar com bancas montadas às margens das estradas, onde também são comercializadas as frutas, retiradas diretamente dos pés plantados nos quintais das casas. É deste modo que o agricultor Cícero Manoel da Silva garante o sustento da família. No povoado Lagoa do Félix, também em Igaci, ele montou seu comércio informal e colocou a dona de casa Rosilene Bezerra de Almeida para vender as pinhas.
Saborosas, as frutas estavam sendo vendidas assim: três unidades por R$ 1,00. Na região, uma caixa com aproximadamente 100 pinhas está sendo comercializada em média a R$ 20,00. Para se ter uma ideia, um único pé chega a gerar até quatro caixas, sem que o agricultor precise de maiores tratos para o cultivo da planta.
O único problema para eles é a praga da broca ou chuvas em excesso, motivo pelo qual a época de maior produção da pinha acontece entre os meses de janeiro e março. “Agora o cultivo da pinha começa a dar lucro”, comemorava Cícero Manoel.
O APL Pinha no Agreste é um dos 14 projetos que integram o Programa de Desenvolvimento para Territórios e Arranjos Produtivos Locais desenvolvidos pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento (SEPLAN), em parceria com o Sebrae e órgãos como a Embrapa e Sescoop, o Banco do Nordeste do Brasil, a Universidade Federal de Alagoas, a Universidade Estadual de Alagoas e as prefeituras dos três municípios envolvidos com a ação.
Produtores de pinha ganham novo impulso em Alagoas
09/07/2009, 02:30 - Municípios
Por teresa
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