Ao enviar ao Congresso o projeto de responsabilização de pessoas jurídicas, a
proposta do governo federal é atingir o bolso das empresas e, com isso, coibir a
prática da corrupção. O secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da
Justiça, Pedro Abramovay, que está envolvido na discussão, diz que a ideia é
punir as empresas de tal forma que fiquem desestimuladas a se envolver em
esquemas de corrupção. Ele avalia que as empresas têm pouco a perder se praticam
crimes contra a administração pública. "Hoje, o prejuízo para a empresa é muito
pequeno. Queremos que esse prejuízo seja tão grande que não valha a pena
corromper."
Qual será a consequência do projeto para as empresas
brasileiras?
Esperamos maior responsabilidade das empresas. Estamos
vivendo no mundo em que a responsabilidade corporativa é importante, onde as
empresas se preocupam em fazer programas de prevenção da corrupção por ser
importante para a imagem delas. Precisamos lidar com essa nova realidade e dizer
que o governo pode punir empresas que são corruptas.
Hoje, a punição
é imposta pelo mercado?
O fato de se ter uma empresa cuja política
necessite corromper uma pessoa para fazer determinada coisa andar precisa ser
punido pelo Estado. Isso precisa afetar o valor da marca, precisa afetar a
empresa. É muito mais grave ter uma empresa punida do que um diretor que
praticou determinado ato. Por isso estamos preocupados com a condenação de
empresas e não só das pessoas físicas nos casos de corrupção.
Não é
possível punir essas empresas com base na legislação atual?
É muito
difícil hoje punir empresas, porque a lógica que se aplica é a do direito penal.
E o direito penal no Brasil é feito para punir pessoas físicas. Por isso
queremos sair desse debate para podermos punir a empresa (no âmbito
administrativo e cível) e gerar um prejuízo que é muito maior, que vai além da
multa e atinge a imagem. Queremos que o consumidor saiba que a empresa foi
condenada. É importante saber que aquela empresa tinha na sua política a prática
da corrupção.
Será possível punir uma empresa mesmo sem provas de que
houve ordem para o pagamento de propina, por exemplo?
Quando
tratamos de pessoa física, precisamos identificar a intenção, se houve ou não a
intenção. E temos de entrar até na análise psicológica para saber por que a
pessoa fez aquilo. No caso da empresa, não precisamos disso. O que temos de
avaliar é se a empresa, representada por alguém que tinha poder para isso,
praticou um ato ilegal. E, se praticou, a empresa será punida.
Não é
possível condenar a empresa com base no Código Penal?
O que a gente
nota é que, nos casos em que a Constituição determina a responsabilidade penal
da pessoa jurídica, como na lei ambiental, há pouquíssimas condenações, porque o
juiz não consegue aplicar o direito penal para a empresa. Então, o que queremos
é tirar isso do âmbito do direito penal, colocar no âmbito administrativo,
porque é onde essas punições funcionam.
Será possível fechar uma
empresa envolvida com corrupção?
Certamente. Fechar empresa é sempre
ruim. O ideal é manter a empresa funcionando. Mas a empresa vai precisar
internalizar para o seu custo o prejuízo que terá com uma condenação. Hoje, o
prejuízo para a empresa é muito pequeno. Queremos que esse prejuízo seja tão
grande que não valha a pena corromper
'Queremos que não valha a pena corromper'
05/07/2009, 14:20 - Política
Por master
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