Foi assim: Em Portugal, a Assembléia da República, em sessão plenária, debatia a situação do país. E a oposição em bloco, direita e esquerda, condenava a política do governo socialista.
O deputado Bernardino Soares, portavoz da bancada comunista, estava com a palavra quando do banco onde se sentava, o ministro da Economia, Manuel Pinho, pôs os dedos indicadores sobre a própria testa, como um par de chifres. E os apontou ostensivamente para Soares. Foi um Deus nos acuda.
Deputados da oposição e do governo começaram a protestar aos brados. E a cobrar a demissão do ministro.
As desculpas não tardaram a chegar - primeiro via o ministro de Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, depois via o próprio primeiro-ministro José Sócrates, chefe do governo.
O ministro da Economia reconheceu seu erro e pediu desculpas. Não adiantou. Os protestos não cessaram. Ele então pediu demissão. Já foi substituído pelo atual ministro das Finanças.