O Fundo das Nações Unidas para a Infância e Juventude (Unicef) criticou
oficialmente a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na última
semana, de manter a sentença que absolveu dois clientes por explorarem
sexualmente crianças - sob o argumento de que se tratavam de
prostitutas conhecidas.
O texto relata que os acusados eram José Luiz Barbosa, o Zequinha
Barbosa (campeão mundial em 1987 na corrida de 800 metros rasos) e o
ex-assessor Luiz Otávio Flores da Anunciação. O Unicef considerou
absurda a justificativa do STJ para manter a decisão do Tribunal de
Justiça de Mato Grosso do Sul.
"Por incrível que possa parecer,
o argumento usado é o de que os acusados não cometeram um crime, uma
vez que as crianças já haviam sido exploradas sexualmente anteriormente
por outras pessoas", manifestou em nota a organização.
De
acordo com o Unicef, a decisão surpreende pelo fato de o Brasil ter
assinado a Convenção sobre os Direitos da Criança, em 1990, que convoca
os Estados a tomarem todas as medidas necessárias para assegurar que as
crianças estejam protegidas da exploração sexual.
"Além disso, a
decisão causa indignação, por causa da insensibilidade do Judiciário
para com as circunstâncias de vulnerabilidade às quais as crianças
estão submetidas. O fato resulta ainda num precedente perigoso: o de
que a exploração sexual é aceitável quando remunerada, como se nossas
crianças estivessem à venda no mercado perverso de poder dos adultos."
Na
nota, o Unicef reitera que "nenhuma criança ou adolescente é
responsável por qualquer tipo de exploração sofrida, até mesmo a
sexual". Para a ONU, esse tipo de violência representa grave violação
dos direitos à dignidade e à integridade física e mental de meninos e
meninas.
ONU critica STJ por não punir sexo com menor
29/06/2009, 09:50 - Brasil/Mundo
Por gilcacinara
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