O Ministério Público Federal em Rondônia (MPF-RO) apresentou à Justiça Federal uma ação de improbidade administrativa contra o deputado federal Ernandes Santos Amorim (PTB-RO). O deputado e outras sete pessoas são acusados de participação em um suposto esquema de fraude na Previdência Social, o que ele nega.
Segundo o MPF, certidões negativas de débito junto ao INSS eram obtidas ilicitamente para que a construtora Canaã, pertencente ao Grupo Amorim, participasse de licitações na prefeitura de Ariquemes. Na época, Ernandes Amorim e sua filha, Daniela, eram respectivamente prefeito e vice-prefeita da cidade.
Com a certidão negativa de débitos, a empresa poderia participar de uma licitação para obra de recapeamento da rodovia estadual RO-387, financiada com recursos federais do então Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), atual Dnit.
Na ação, a Procuradoria afirma que em 2004 um servidor do INSS teria fraudado pelo menos uma certidão negativa de débito para favorecer a construtora Canaã. Em troca, ele teria recebido R$ 4,5 mil. Para emitir a certidão, o servidor teria registrado que a dívida da empresa com o INSS estava temporariamente em negociação.
Segundo as investigações, o débito da construtora com Previdência Social ultrapassava R$ 43 mil. A ação diz ainda que um técnico em contabilidade seria o facilitador do esquema, repassando o dinheiro ao servidor do INSS.
Os procuradores que assinam a ação pedem à Justiça Federal a perda do cargo dos envolvidos; suspensão dos direitos políticos; pagamento de multa; perda de eventuais valores obtidos ilicitamente; ressarcimento de eventuais prejuízos causados aos cofres públicos; proibição de contratar com o poder público ou receber incentivos fiscais, além do pagamento de danos morais sofridos pela União.
Outro lado
Por meio de nota, o deputado Ernandes Amorim (PTB-RO) classificou de "mentirosas" o rol de acusações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) em Rondônia.
“Isso é um abuso, caracteriza perseguição política contra minha pessoa. Me prenderam e agora retomam com as mesmas mentiras na tentativa de fazê-las verdades em razão de meu trabalho e luta contra a política ambiental exacerbada atual”, afirmou o deputado, em discurso na Câmara, segundo a nota divulgada pela assessoria de imprensa.
No texto, o deputado diz ainda que não dono de construtora. “É um absurdo essa tentativa recorrente de manipular mentiras para torná-las fatos. Isso é um crime contra um cidadão, um parlamentar e precisa de reparos”.
O parlamentar afirma ainda ter acionado sua assessoria jurídica e que pretende cobrar ressarcimento da União "por perseguições e calúnias". “Quero que provem que tive essa construtora e que funcionários tenham pagado propina de R$ 4,5 mil a servidor para obter as certidões negativas. Da mesma forma que mostrem onde eles conseguiram essa cifra de R$ 18 milhões desviados da prefeitura de Ariquemes por mim."
Operação Rondônia-Mamoré
A denúncia do MPF é um dos desdobramentos da Operação Rondônia-Mamoré, realizada em 2004 e que revelou um esquema de fraudes em licitações públicas na Prefeitura de Ariquemes.
À época, o deputado chegou a passar 83 dias preso. Ele foi acusado de comandar um esquema de corrupção que desviou R$ 18 milhões da prefeitura de Ariquemes. Foi solto pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em seguida, foi eleito deputado federal, cargo que ocupa hoje.
Ministério Público denuncia deputado por improbidade administrativa em RO
29/06/2009, 20:59 - Brasil/Mundo
Por teresa
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