Os quatro coronéis da Polícia Militar indiciados no inquérito da Operação Nêmesis movimentaram valores, em suas respectivas contas bancárias, 3,5 vezes maiores do que a renda declarada à Receita Federal. Entre os anos de 2004 e 2007, os oficiais tiveram juntos fluxo financeiro de quase R$ 8 milhões.

A  Coordenadoria de Operações Especiais da Polícia Civil (COE) detectou ainda que os policiais militares deixaram de declarar diversos itens de seus patrimônios, a exemplo de carros importados e imóveis de alto padrão. Os delegados do COE sugerem que a Receita abra investigação fiscal de todos os  27 acusados no inquérito policial.

Suspeito de enriquecimento ilícito, o coronel Antônio Jorge Ribeiro de Santana, ex-comandante-geral da PM, teve movimentação superior a R$ 1 milhão por ano, informação antecipada por A TARDE, em sua edição do dia 15 de maio. O rendimento oficial foi de R$ 609,8 mil.

De acordo com os policiais, o coronel deixou declarar um Vectra e só tem um  apartamento no Cabula como posse informada no Imposto de Renda. Pesa também sobre Santana a suspeita de lavagem de dinheiro, através da compra de gado.

CASA DE PRAIA – Outro flagrado pela polícia com patrimônio não declarado é o tenente-coronel José Augusto Tuy de Brito Oliveira, ex-diretor do departamento de planejamento da corporação. O levantamento revela que ele é detentor dos seguintes imóveis: uma casa de praia em Camaçari, uma comercial no bairro do Uruguai, duas unidades habitacionais no empreendimento Brisas, uma unidade do Salvador Prime e apartamento tipo estúdio no Centro; além de três carros, um deles o importado Fiat Sportage, ano 2007/08.

O inquérito revela discrepância, que varia entre 40% e 113%, a depender do ano fiscal, entre o que ele declara e o valor que movimenta na conta bancária, mesmo quando soma-se a renda da mulher, que é servidora estadual. Em quatro anos, o oficial informou receber um total de R$ 561,6 mil, mas teve ganhos financeiros de quase R$ 1,2 milhão.

Já o coronel Jorge da Silva Ramos, ex-diretor do  departamento de apoio logístico da corporação, declarou rendimentos de R$ 595,5 mil, mas movimentou R$ 1,8 milhão. Entre os bens do coronel, estão uma casa com campo de futebol num condomínio na Ilha de Itaparica; apartamento de quatro quartos, avaliado em R$ 400 mil, ainda em construção na Av. Garibaldi; e outro, onde mora, na mesma região.

A respeito dele, escreveram os delegados do COE:  “Possui bens patrimoniais que indicam sinais de riqueza exterior. Os bens não foram declarados à Receita Federal, bem como são incompatíveis com os rendimentos auferidos nos últimos quatro anos”.

O coronel Sérgio Alberto da Silva Barbosa, ex-comandante do Corpo de Bombeiros,  teve movimentação bancária compatível com sua renda, à exceção do ano de 2006, quando teve fluxo financeiro 93% a mais do que recebe do Estado e da Universidade Católica de Salvador (Ucsal).

Mas o COE descobriu que a casa onde ele mora não foi declarada no imposto da renda da mesma maneira que um  Fiat Sena, ano 2001. Um outro carro está  em nome de uma dependente que teve o CPF suprimido e data de nascimento alterada na declaração retificadora de Imposto de Renda 2008, ano-base 2007. A mulher de Barbosa teve ganhos incompatíveis com a renda declarada em 2007.