O PSOL gaúcho levou nesta quinta-feira ao MPC (Ministério Público de Contas) do Estado uma nova suspeita envolvendo a compra de um imóvel de luxo por parte da governadora do Estado, Yeda Crusius (PSDB). A oposição já afirmava que ela utilizou dinheiro do caixa dois na campanha eleitoral de 2006 para comprar um imóvel de R$ 750 mil em um bairro nobre de Porto Alegre. Esse valor, de acordo com a nova denúncia, poderia ser o dobro: R$ 1,4 milhão.
Segundo o presidente do PSOL, Roberto Robaina, e o vereador do mesmo partido Pedro Ruas a casa comprada pela governadora depois das eleições de 2006 foi negociada um ano antes por R$ 1,4 milhão, quase o dobro do valor que Yeda alega ter desembolsado.
Segundo o vereador, os compradores chegaram a assinar um contrato de compra e venda e dar um sinal de R$ 70 mil, mas acabaram desistindo do negócio.
O vereador diz também que o mesmo corretor de imóveis que intermediou a compra da casa para governadora, Eduardo Laranja, chegou a rejeitar uma oferta de R$ 1 milhão pelo imóvel.
"A versão da governadora não é crível. Primeiro, o imóvel foi à venda por R$ 1,4 milhão. Depois, o mesmo corretor que fez negócio com a governadora, rejeitou uma oferta de compra de R$ 1 milhão por considerar o valor baixo. E, por fim, vendeu a mansão para Yeda por R$ 750 mil", afirmou Pedro Ruas. "Os novos fatos comprovam, definitivamente, que o montante divulgado pela governadora não corresponde à realidade do mercado imobiliário."
O procurador-geral do MPC, Geraldo Da Camino, disse que vai analisar a petição apresentada pelo PSOL. "No momento, não há prazo para recurso sobre o mérito do arquivamento da representação referente à compra da casa, apresentada pelo partido. Quando forem julgados os embargos declaratórios, o prazo será reaberto e as novas informações poderão ser agregadas ao recurso", disse.
Acusações
Além dessas denúncias, Yeda é suspeita de desviar dinheiro no Detran-RS e fraudar licitações.
A governadora sempre rechaçou acusações de irregularidades e diz que foi inocentada da denúncia de compra irregular da casa pelo Ministério Público Estadual, que arquivou o caso.
A reportagem entrou em contato com o advogado de Yeda, José Eduardo Alckmin, mas ele ainda não retornou contato.
A oposição quer investigar as denúncias por meio de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), mas, até agora, só 17 das 19 assinaturas necessárias ao requerimento foram colhidas.
PSOL diz que mansão de Yeda vale R$ 1,4 mi, o dobro do valor declarado
26/06/2009, 03:36 - Política
Por eduardocardeal
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