As duas devem ser acusadas por crime de tortura. Sophie morreu no dia 19. A enfermeira Deise Bastos, de 44 anos, disse em seu depoimento à polícia que "não foi fatalidade. Foi crueldade. Aquela criança foi torturada". A criança estava desidratada, desnutrida e chegou em coma nível 3 na escala Glasgow, que vai até 6. A vítima não tinha abertura ocular, resposta verbal ou motora. "Não acredito que um tombo provoque uma lesão com afundamento de crânio", ressaltou.
Deise contou à polícia que Sophie chegou à UPA molhada e vestida com uma calça rosa e uma blusa, por volta das 17h30 do dia 12. "Quando notei as manchas roxas nos braços, tirei a roupa da menina e toda a equipe médica ficou chocada. Entendi que a vestiram para esconder os hematomas", disse. Ao ver o estado da menina, a médica de plantão pediu que os seguranças chamassem a polícia e o Conselho Tutelar. Nesse momento, Lílian fugiu da UPA. Sophie foi entubada e a equipe começou a preparar sua transferência. Lílian retornou à UPA com a mãe, o pai e o primo R., de 12 anos, irmão de Sophie. "Os adultos aparentavam indiferença, mesmo após ver o corpo", disse a enfermeira.
A Secretaria Nacional de Justiça formou uma comissão para acompanhar o caso. Ontem, chegaram ao Rio três representantes para acelerar os procedimentos burocráticos para a liberação do corpo de Sophie e a passagem da guarda de R. para o pai austríaco Sasha Zanger. A mãe das crianças, a brasileira Maristela dos Santos, trouxe Sophie e o irmão R. da Áustria sem o consentimento do pai em janeiro de 2008.