Embora todos os depoimentos de testemunhas colhidos até agora avalizem o possível espancamento da menina Sophie Zanger, de 4 anos, o delegado da 36ª DP (Santa Cruz), Aguinaldo Ribeiro da Silva, aguarda a chegada do laudo do Instituto Médico–Legal (IML),que ficou para quinta-feira, para pedir a prisão preventiva – por 30 dias – da tia da menina, Geovanna Vianna, 42, e sua filha, Lilian Vianna, 21. Quarta-feira, a técnica de enfermagem Deise Bastos, que trabalha na Unidade de Pronto–Atendimento (UPA) de Santa Cruz – onde Sophie foi socorrida – descreveu os traumas constatados no corpo da criança e afirmou que ela tinha ferimentos em lados distintos da cabeça.

Segundo Deise, havia hematomas antigos no corpo da menina, a mão esquerda estava fraturada e a mão direita bastante inchada – como, inclusive, comprovaram exames de raios-X, de acordo com Deise. Além disso, embora a queda no banheiro tenha sido o suposto motivo de a menina ter ficado desacordada e só então ter sido socorrida, a enfermeira relata ter visto um corte no lado direito da cabeça e um afundamento na nuca.

– A morte pode até ter sido ocasionada pela queda, mas não acredito que uma queda provocaria lesões em dos lados distintos da cabeça. O que a tia considera uma fatalidade, eu classifico como uma crueldade – afirmou a técnica de enfermagem. – Não entendo como elas ainda não estão presas. Por força da nossa profissão estamos acostumadas, mas o estado em que a menina chegou lá era tão grave que chocou todos os médicos.

O delegado pretende cercar o inquérito com o máximo de embasamento possível para não dar brechas à defesa das suspeitas. Além disso, ele pretende indiciá-las por tortura, já que as agressões – segundo os relatos das testemunhas – eram constantes e a pena para esse tipo de crime é maior, podendo chegar a oito anos de prisão.

O pai da criança, Sascha Zanger, 39, esteve quarta-feira na Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça onde conseguiu do secretário, Romeu Tuma Júnior, apoio para agilizar o caso. Foi formada uma comissão, que já está no Rio, com o objetivo de ajudar Sascha no traslado do corpo e a conseguir a guarda definitiva do filho R., 11 anos. Sua ex-mulher, Maristela dos Santos – que tem problemas psiquiátricos – admitiu que inventou a história das agressões de Sascha e de abuso sexual com medo de perder a guarda dos filhos.

O delegado Aguinaldo espera receber quinta-feira o laudo e as fotos do corpo para pedir a prisão das suspeitas. Ele vai ouvir o médico do Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, que esteve com a menina e fotografou o corpo da criança. Médicos da UPA de Santa Cruz – que chamaram a polícia – também vão depor entre quinta e sexta-feira.