Dois senadores pediram ontem o afastamento do senador José Sarney (PMDB-SP) da presidência do Senado. Em discursos no plenário da Casa, os senadores José Nery (PSOL-PA) e Pedro Simon (PMDB-RS) sugeriram que Sarney se afaste temporariamente do cargo até que as investigações sobre a edição de atos secretos na Casa estejam concluídas.

"Ele não vai se afastar no sentido de que nós estamos impondo, ele não vai se afastar no sentido de que ele não tem credibilidade, não tem confiança. Mas vai se afastar para que as coisas sejam conduzidas ao natural, por uma pessoa que seja mais isenta, mais tranquila, com mais disposição do que ele", disse Simon.

No discurso, o peemedebista afirma que votou em Sarney para a presidência da Casa, mas avalia que o colega de partido não tem usado frases "felizes" para justificar a crise que atinge a instituição.

"Quando ele diz que foi eleito para presidir politicamente e não para limpar o lixo, pois, se tem lixo no Senado, a primeira pessoa que tem que olhar é o presidente do Senado, e não o lixeiro. De irmão para irmão, a melhor coisa que o presidente Sarney tem que fazer é se afastar, se afastar", afirmou.

Nery, por sua vez, disse que Sarney não "detém as condições" de permanecer no cargo em meio à enxurrada de denúncias que arranham a imagem do Senado.

"É importante o seu afastamento para que se realize de fato a investigação que, aqui, parece que não se quer fazer. São atos tímidos, apesar de reconhecer que algumas proposições podem se transformar em medidas concretas. Os atos, anunciados em gestação, não se coadunam, não têm ligação, não se aproximam da gravidade da crise que nós enfrentamos", disse o senador.

Além de Simon e Nery, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) já havia sugerido o afastamento de Sarney nesta segunda-feira. O pedetista usou argumentos semelhantes para defender a saída temporária de Sarney ao afirmar que, longe da cadeira de presidente, o parlamentar terá mais condições de contribuir com sugestões para a Casa sair da crise.

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) também havia defendido a saída de Sarney caso o peemedebista não afastasse o diretor-geral da Casa, Alexandre Gazineo --exonerado nesta terça-feira. Sarney afastou o servidor do cargo, assim como o diretor de Recursos Humanos do Senado, Ralph Campos.