A polícia iraniana prendeu cerca de 20 pessoas na sede do jornal Kalameh, favorável ao candidato derrotado Mir Hussein Moussavi, informaram nesta quarta-feira, 24, fontes do opositor. A redação do jornal, localizada em um edifício no centro de Teerã, já não estava em funcionamento, mas ainda era utilizada como centro de reunião.
"No momento em que a polícia invadiu o jornal havia aproximadamente 20 pessoas. Cinco eram do setor administrativo e o restante jornalistas", afirmou a fonte, que preferiu não se identificar. A polícia iraniana anunciou que tinha desmantelado o quartel-general dos "sabotadores", "utilizado como base de campanha por um dos candidatos presidenciais" derrotados no dia 12 de junho.
"Após revistar o edifício, que era utilizado pela campanha de um dos candidatos, foi descoberto que aconteciam reuniões ilegais que promoviam os distúrbios e trabalhavam contra a segurança do país", disse a polícia em comunicado divulgado pela agência oficial de notícias Irna.
O comunicado não esclarecia de qual candidato se tratava, mas a emissora pública em inglês PressTV assegurou que o prédio acolhia vários escritórios de Mousavi. O canal afirmou ainda que no local foram encontrados indícios que provam o envolvimento de "elementos estrangeiros no planejamento dos distúrbios".
Desde que os resultados provisórios das eleições foram divulgados, com uma surpreendente vitória em primeiro turno do atual presidente, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, o Irã se transformou em palco de protestos e enfrentamentos que até o momento custaram a vida de pelo menos 20 pessoas, segundo números oficiais.