Indignado com a onda de denúncias que atingem a imagem do Senado, o analista legislativo Francisco Tadeu Gardesani Luz decidiu reagir a um suposto esquema de funcionários fantasmas da instituição. Gardesani afirma que vem recebendo salário há mais de um mês sem trabalhar, uma vez que o responsável pelo órgão no qual é lotado não teria conseguido encaixá-lo em nenhuma atividade desde que retornou de uma licença médica.
O servidor acusa a diretora da Secretaria de Comunicação do Senado, Ana Lúcia Novelli, de não ter encontrado função para ele no órgão, apesar de ser concursado da instituição. "Estou há quase dois meses sem poder trabalhar por causa da diretora que me propôs que ficasse em casa ganhando sem trabalhar. O que não dá é para ficar em casa ganhando salário. Se existe funcionário fantasma, eu não quero ser mais um", afirmou.
Gardesani encaminhou requerimento ao diretor-geral da Casa, Alexandre Gazineo, com o pedido para retomar suas atividades na instituição. No documento, o servidor pede esclarecimentos sobre os fatos e solicita "providências legais, urgentes e cabíveis" para resguardar os seus direitos de servidor. "Estou cansado como servidor concursado e batalhador. Como servidores, não podemos mais aceitar a imoralidade administrativa nesta Casa", afirmou.
Ana Lúcia Novelli contestou a versão apresentada pelo servidor. A diretora disse que Gardesani, ao sair de licença médica, mostrou-se insatisfeito com as suas atividades na TV Senado, onde era lotado. Ao retornar à Casa depois da licença, a diretora disse que o servidor ficou alguns dias sem trabalhar até que fosse lotado em outra função.
Na última sexta-feira, segundo Novelli, Gardesani foi lotado na Secretaria de Relações Públicas do Senado, com o trabalho de visitação institucional. "O servidor nunca ficou sem lotação, sempre esteve lotado na área de relações púbicas, para a qual é concursado. Depois de 238 dias de licença, começamos a procurar o melhor local para ele. Estávamos buscando uma melhor atividade para o perfil dele", afirmou.
O servidor acusou o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia de beneficiar um grupo de servidores supostamente ligados a ele na instituição. "Nas comissões especiais, em que você recebe muita hora extra, só entra quem é apadrinhado do Agaciel. Quando tem um bom padrinho, o servidor entra na comissão e ganha R$ 2.600,00 por mês", disse.
Gardesani ainda disse que a maioria dos servidores do Senado recebe horas extras sem cumpri-las, uma vez que têm contratos de 40 horas semanais com a instituição. "O problema é que a maioria dos servidores faz o horário corrido e, na prática, trabalha seis horas por dia. Aí recebem por oito horas de trabalho e duas como hora extra, na verdade, sem trabalhar."
Servidor diz que Senado tem esquema para contratar funcionários fantasma
23/06/2009, 04:30 - Política
Por antoniomelo
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