O número de vítimas de acidentes causados pelo excesso de álcool nas ruas e estradas do Reino Unido caiu pela metade em 20 anos, depois que o governo local impôs um limite para o consumo e a fiscalização com bafômetros.

Segundo o Departamento de Transportes do Reino Unido, a média de mortes causadas pela bebida girava em torno de 1 mil por ano (em um total de 27,2 mil vítimas) na primeira metade dos anos 80 - a lei é de 1983. Em 1990, foram cerca de 21 mil vítimas, sendo 800 fatais. Nos anos 2000, morrem entre 450 e 500 pessoas em acidentes onde o consumo excessivo de bebidas foi a causa ¿ o dado mais recente do Departamento de Transportes é de 2007 e aponta 460 mortes entre o total de 14,5 mil vítimas.

E, apesar dos dados expressivos, a tolerância está longe do zero. No Reino Unido, o limite permitido por lei é de 80 miligramas (mg) para cada 100 mililitros (ml) de sangue (ou 35 microgramas por 100 mililitros de ar soprado no bafômetro) - o limite no Brasil, antes da lei seca, era de 60 mg.

Beber e dirigir no Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) resulta em pelo menos 12 meses sem carteira de motorista mais uma multa de até 5 mil libras, e pode levar à prisão por um mínimo de seis meses, dependendo do grau de embriaguez e da atitude do infrator flagrado. Se causar alguma morte, o motorista alcoolizado fica pelo menos dois anos sem licença para dirigir (e precisa fazer um teste para recuperar a carteira) e pode ir preso por até 14 anos.

Para a polícia local, o período mais perigoso nas estradas do país está começando. O verão concentra quase a metade das mortes ou ferimentos graves em acidentes de trânsito causados por motoristas alcoolizados.

Propaganda agressiva
As temperaturas amenas e um sol que se põe depois 9 da noite são um convite a mais para estender o happy hour nos pubs. Por isso, o Departamento de Transportes do Reino Unido lançou no mês passado uma campanha orçada em 1,5 milhão de libras para alertar a população dos riscos de beber e dirigir. Os filmes não economizam em lataria amassada e sangue.

O ministro da Segurança nas Estradas, Jim Fritzpatrick, lembra que, a cada verão, 200 pessoas perdem a vida na Grã Bretanha devido à combinação álcool e direção. Comparados às estatísticas brasileiras, parecem números pequenos, mas as vítimas do álcool no trânsito em 2007 (460 pessoas) representaram 16% das mortes nas estradas, o que preocupa as autoridades locais. De acordo com as diretrizes da Estratégia de Segurança nas Estradas, campanhas contra o álcool ao volante têm orçamento anual de 3,5 milhões de libras no período entre 2000 e 2010.

Paralelamente às campanhas de conscientização na TV, no rádio, nas ruas e na internet, o governo britânico aumenta ano a ano os investimentos em transporte público. Atualmente, cerca de 3 milhões de pessoas usam o metrô diariamente em Londres. Desde 2000, o governo estima que o volume de usuários aumentou 12%.

Na capital inglesa, o metrô e a maioria das linhas de ônibus funcionam até a 0h. Depois dos horários de pico (começo da manhã e fim da tarde), o período entre 23h e 0h é o mais movimentado nas estações londrinas. Depois disso, quem fica na rua precisa tomar um táxi ou um ônibus noturno, cujas linhas são reduzidas e quase sempre lotadas. No ano passado, foi proibido o consumo de álcool nos trens e ônibus.

Cada britânico consome, em média, 11,53 litros de bebidas alcoólicas por ano - a cerveja representa quase a metade. De acordo com o Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido, 31% dos homens e 20% das mulheres ingerem mais do que o limite recomendável por semana (21 doses para eles e 14 doses para elas, sendo que uma dose representa 10 mililitros de puro álcool).

Conforme o Instituto de Estudos sobre o Álcool, que pesquisa o setor na Europa e no Reino Unido, o consumo de bebidas alcoólicas fora de casa entre os britânicos vem caindo - de uma média de 733 mililitros por semana em 2001 para 561 mililitros semanais em 2006. Por outro lado, o consumo em casa aumentou de 735 para 760 mililitros semanais no mesmo período.