Atrás da linha, dois cavalos aguardam o comando de rédea ser acionado. Ao sinal do dono, terão 12 minutos para percorrer 12 metros puxando até 2 toneladas acomodadas na zorra, caixote de madeira arrastado pelo chão e preenchido por sacos de areia de 50 quilos. A prática, conhecida como puxada, é encarada como crueldade por entidades de defesa animal e defendida por quem vê nela tradição. Antes da próxima competição no Vale, marcada para o dia 23 de agosto no Clube de Caça e Tiro Germano Tiedt, em Pomerode, organizadores e defensores de animais travam um embate sobre a disputa. Não há lei que proíba a competição na região.

– A puxada causa sofrimento sem justificativa para o animal. Os cavalos passam a ser motivo de diversão, a tortura se disfarça de entretenimento – protesta a presidente da Associação dos Melhores Amigos dos Bichos (AMA), Lucienne Sprung.



A puxada começou a ser praticada na década de 80 no interior de cidades do Vale como forma de “medir a força dos cavalos”. Praticantes defendem o que chamam de esporte como tradição cultural. O argumento é questionado pela AMA, que fez um abaixo-assinado com 1,2 mil nomes contra a prática.

O presidente do Clube do Cavalo em Pomerode, Miro Just, lembra que a competição ocorre em Jaraguá do Sul, Massaranduba, Doutor Pedrinho, Dona Emma, Presidente Getúlio, José Boiteux, Victor Meirelles, além de Pomerode e Benedito Novo, onde a atividade é comum há 25 anos.

– Os cavalos que participam são treinados para isso. Não há maus-tratos, eles puxam o quanto podem – afirma.

As raças mais usadas para tração são Percheron e Bretão. O veterinário especialista em equinos João Luiz dos Santos explica que há uma fórmula que determina o peso que cavalos podem puxar a partir do tamanho (perímetro toráxico), peso e altura. Em geral, os cavalos de todas as raças podem puxar até o dobro do próprio peso. Mas o excesso de esforço pode causar sequelas irreversíveis como lesões, fraturas, distensão de musculatura e ruptura de ligamentos.