O ministro Joaquim Barbosa disse aos colegas Carlos Britto e Celso de Mello que se sente "desobrigado" de não mais criticar publicamente o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. O motivo da declaração foi a entrevista que Gilmar Mendes concedeu à revista IstoÉ A informação é da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

Segundo a coluna, Joaquim Barbosa se sentiu atingido pelo trecho da entrevista em que Gilmar Mendes afirmou: "Essa tese de a Justiça ouvir as ruas serve para encobrir déficits intelectuais. Eu posso assim justificar-me facilmente, não preciso saber a doutrina jurídica. Posso consultar o taxista."

Na entrevista, Gilmar Mendes disse ainda que, com este pensamento, o país caminharia para uma Justiça plebiscitária. "Se formos consultar a chamada opinião pública, vamos ter que saber como se faz a consulta. É a minha opinião pública, é a sua opinião pública? É a opinião pública de que grupo? É a minha rua? É a sua rua? É a rua de quem? É o ibope do bar? Do Baixo Leblon?", questionou.

Em abril, os dois ministros tiverem uma discussão durante sessão do plenário do Supremo. Joaquim Barbosa acusou o colega de estar destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro e se referiu a "capangas de Mato Grosso" comandados por Mendes. O bate-boca foi mostrado ao vivo pela TV Justiça. Joaquim Barbosa também convidou Gilmar Mendes a sair às ruas e ouvir a opinião pública.

Depois da discussão, os demais ministros se reuniram em uma sala fechada e decidiram divulgar uma nota em apoio ao presidente do Supremo. "Os Ministros do Supremo Tribunal Federal reafirmam a confiança e o respeito ao Senhor Ministro Gilmar Mendes na sua atuação institucional como Presidente do Supremo, lamentando o episódio ocorrido nesta data", dizia a nota.

Depois da polêmica, Joaquim Barbosa, em viagem ao Rio de Janeiro, foi reconhecido e cumprimentado pela população durante passeio pela cidade. Ele recebia apoio pela atitude tomada durante a discussão. Os ministros encaram o "passeio" como uma "deliberada intenção de "provocar" Gilmar Mendes.

Depois do episódio, Joaquim Barbosa ficou isolado de seus colegas de corte. Os únicos ministros que mantém diálogo com ele são Carlos Britto e Celso de Mello. No intervalo das sessões, quando não se recolhe ao seu gabinete, JB é visto no cafezinho quase sempre conversando com o procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza.