Um grupo de nove senadores se uniu ontem para propor um pacote moralizador para o Senado, atingido por denúncias de corrupção, contratação irregular de parentes e outras irregularidades. O grupo pede a demissão de toda a direção do Senado, especialmente a do diretor-geral Alexandre Gazineo --responsável pela assinatura da maior parte dos mais de 500 atos secretos editados pela instituição nos últimos 14 anos ao lado de Agaciel Maia, ex-diretor-geral da Casa.

Eles também querem a demissão dos ex-diretores Agaciel Maia e João carlos Zoghbi, afastados dos cargos após denúncias de irregularidades.

Em documento, o grupo propõe uma reforma administrativa no Senado como resposta à crise política. O grupo dos nove vai apresentar o documento com suas reivindicações ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), até o final desta semana. Eles esperam que Sarney adote as medidas sugeridas no texto até, no máximo, a semana que vem.

Entre as sugestões está a escolha do diretor-geral pelo plenário do Senado, e não mais pelo presidente da Casa.

"Estamos incomodados com essa situação e elaboramos um documento com sugestões ao senador José Sarney com prazo para que ele possa executar essas medidas até a semana que vem", disse o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Além de Cristovam, integram o grupo os senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Pedro Simon (PMDB-RS), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Tião Viana (PT-AC), Sérgio Guerra (PSDB-PE), Renato Casagrande (PSB-ES) e Demóstenes Torres (DEM-GO).

Os senadores pedem ainda que investigações sobre os atos secretos sejam conduzidas por um órgão externo ao Senado, e não por um grupo técnico, como é hoje.

"A investigação tem que ser feita por uma entidade externa. Pode ser a Polícia Federal, o Ministério Público, o Tribunal de Contas da União. Eu pessoalmente acho que a Polícia Federal pode ser convidada porque tem competência para isso", afirmou Cristovam.

Bate-boca

A iniciativa do grupo dos nove irritou Wellington Salgado (PMDB-MG), aliado de Renan Calheiros (PMDB-AP) e de Sarney. Salgado bateu boca com Jereissati.

Salgado disse que o presidente do Senado não pode ser responsabilizado pela crise na instituição. "Não há decisão que não passe pelo colégio de líderes e pela Mesa. Vivemos aqui um grande teatro. É uma lua de mel com a derrota. Quem perdeu, continua vivendo com a derrota", disse Salgado.

Tasso, por sua vez, afirmou que "aqueles que não têm compromisso com a opinião pública" por não terem sido eleitos ao Senado não podem julgar os colegas. "Aquele senador que nunca disputou eleição na vida é diferente daquele que defende sua vida com base na opinião pública", afirmou o tucano.

Medidas

O grupo ainda cobra a apresentação de uma proposta de reforma administrativa no Senado, a meta de redução no quadro de pessoal da instituição e a eliminação de "vantagens acessórias" do mandato parlamentar.

Outro pedido é a realização de reunião mensal, no plenário da Casa, para a definição da pauta de votações do mês subsequente e a votação de medidas administrativas.

Os senadores solicitam também a realização de auditoria externa para analisar todos os contratos firmados pela Casa. O grupo, porém, se mostrou contrário a um eventual afastamento de Sarney da presidência do Senado. "Para mim, ficar ou não ficar é irrelevante. O importante é dar rumo à Casa, o que ele [Sarney] não consegue", disse Jarbas.