O presidente do Senado, José Sarney, disse ontem (16), que ficou satisfeito com a repercussão de seu discurso no plenário para falar sobre a crise administrativa que toma conta do Senado com as várias denúncias contra funcionários e senadores.
Ao ser indagado por jornalistas sobre se achava que a repercussão ao seu pronunciamento seria boa, respondeu: “Acho que sim. Eu não disse nada que não era verdade”, comentou rapidamente.
Questionado sobre as informações de que exoneraria o atual diretor-geral da Casa, Alexandre Gazzineo, apontado como responsável pela maioria dos atos secretos da mesa diretora do Senado, Sarney desconversou. Inicialmente emudeceu e disse que os jornalistas estavam preocupados demais com isso. Depois, disse: “se vocês tiverem alguma indicação me façam”, concluiu.
Ele negou ainda que a Polícia Federal será chamada para investigar a origem dos atos secretos do Senado. Segundo o senador, a última vez que a “polícia e o Exército” entraram no Congresso foi na época da ditadura. “Eles vão investigar o que? Está aberta uma comissão interna. Vai chamar a polícia para que?”, afirmou Sarney.
Sarney disse que o próprio Senado é que tem que resolver essa questão. “Nós temos que resolver os nossos problemas e vamos resolver”, disse voltando para o plenário.
Repercussão
Senadores disseram após o discurso que cobraram medidas concretas do presidente, e pediram que ele não fique apenas no discurso. Em seu pronunciamento, Sarney enumerou algumas providências que já foram tomadas para resolver algumas das denúncias, mas não anunciou novas medidas.
Para o senador Tião Viana (PT-AC), que disputou a presidência da Casa na última eleição contra Sarney, o discurso dele “ficou aquém do esperado”.
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), foi mais crítico e disse que o discurso de Sarney “não apontava para nenhuma solução de futuro,” disse.
O senador Renato Casagrande (PSB-ES), presidente da Comissão de Fiscalização e Controle, foi outro que não ficou satisfeito com o discurso. “Esperava coisas mais concretas, que se tivesse alguma atitude”.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), usou um tom mais ameno, mas também cobrou ações. Ele elogiou a postura de Sarney de ir a plenário debater o tema, mas disse que é preciso passar do discurso para as ações.
O líder do DEM, partido que viabilizou a eleição de Sarney para presidência da Casa, senador José Agripino, disse que ele não pode ser julgado por “um detalhe”. “Não se pode medir justeza da vida pública por um detalhe”, discursou.
O ex-presidente do Senado, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), disse que o discurso de Sarney “foi bom” e indica o início de um “novo momento." “O discurso só não resolve, mas ele disse que está disposto a tomar medidas doa a quem doer”, comentou.
Após discurso, Sarney se diz satisfeito com o clima no Senado
17/06/2009, 02:32 - Política
Por antoniomelo
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