Com a oficialização da pandemia de gripe suína, aumentou a corrida entre as empresas farmacêuticas para produzir uma vacina eficiente contra o novo tipo de vírus influenza A H1N1, causador da doença que, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), infectou 29.669 pessoas em 74 países e matou 145. De acordo com a organização, o nível pandêmico está relacionado à ampla distribuição geográfica da doença, e não à sua gravidade, já que o vírus é considerado "moderado".
Nesta sexta-feira, a empresa farmacêutica suíça Novartis informou ter produzido com sucesso o primeiro lote de uma vacina contra a gripe suína.
O laboratório, que fez o anúncio semanas antes do esperado, afirmou que vai utilizar o primeiro lote de vacina para a avaliação pré-clínica e testes --os quais devem começar em julho. Segundo a empresa, a vacina foi feita em células, e não cultivada em ovos (técnica normalmente utilizada na fabricação de vacinas), porque permitiria maior rapidez no processo.
A GlaxoSmithKline informou nesta quinta-feira, após o anúncio da OMS, que ela estaria pronta dentro de semanas para começar a produzir vacinas em larga escala. Outra farmacêutica, a Sanofi-Aventis também disse que tinha começado a trabalhar em sua própria versão.
Muitos países ricos, como Inglaterra, Canadá e França já assinaram contratos de compra da vacina, garantindo-lhes o acesso ao produto. A OMS e outros estimam que cerca de 2,4 bilhões de doses de vacina pandêmica poderiam estar disponíveis em cerca de um ano.
A grande procura pela vacina pode deixar muitas pessoas nos países mais pobres sem proteção. Após o anúncio da epidemia, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, pediu "solidariedade" entre os países para combater a doença.
Até agora, além do México, a gripe foi detectada principalmente em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, Japão, Austrália e países europeus.
"Não sabemos como o vírus se comporta em condições normalmente encontradas no mundo em desenvolvimento", disse a chefe da OMS, Margaret Chan, na quinta-feira. Ela disse que a agência espera ver um "quadro sombrio" se o vírus se espalhar pela Ásia e pela África, onde pessoas atingidas por doenças como tuberculose e aids podem ser mais suscetíveis aos efeitos da nova gripe.
Ao anunciar a pandemia, em Genebra, Chan recomendou aos laboratórios que primeiro terminassem a produção das vacinas contra a gripe comum para só então mobilizarem suas fábricas para a produção da nova vacina. O tempo estimado para que terminassem de produzir a vacina comum era de duas semanas.
Balanço
De acordo com o balanço mais recente da OMS, divulgado nesta sexta-feira, ao menos 29.669 pessoas, de 74 países, já contraíram gripe suína. Em 145 casos, os pacientes morreram.
Os Estados Unidos continuam sendo o país com o maior número de casos --13.217, com 27 mortes. Em seguida vem o México, considerado o epicentro da doença, com 6.241 casos confirmados e o maior número de mortes, 108.
No Canadá, 2.978 pessoas foram contaminadas pelo vírus da gripe suína; quatro delas morreram. No Chile, dos 1.694 casos confirmados, dois resultaram em morte.
Costa Rica, República Dominicana, Guatemala e Colômbia relataram, cada um, uma morte causada pela gripe suína.
O Brasil possui 52 casos confirmados, mas nenhuma morte foi registrada.