Quem quiser saber mais sobre as origens do povo negro de Salvador tem um universo vasto para explorar no Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao). A instituição, que este ano celebra 50 anos de fundação, conta com uma gama de serviços disponíveis à população, como biblioteca especializada em assuntos afro-brasileiros, cursos de extensão, museu de arte africana, entre outros.

Além disso, interessados podem assistir a palestras e minicursos, e professores da rede pública de ensino têm à disposição programas de capacitação na área.

De acordo com a diretora do Ceao, Paula Barreto, a missão da instituição é criar um espaço para produção de conhecimentos “sobre a história africana e dos afro-brasileiros, além de promover diálogo com as comunidades baianas sobre a temática”.

A biblioteca do Ceao foi criada no ano de 1959 e é a mais antiga do Brasil especializada em estudos afro-brasileiros, africanos e asiáticos. O acervo conta com livros, periódicos, trabalhos acadêmicos, discos e vídeos, e pode ser consultado por qualquer pessoa gratuitamente.

Ainda este mês, termina o curso de cinema africano, e serão abertas as inscrições para o curso “Educação e desigualdade racial”, voltado para professores da rede estadual.

O objetivo é contribuir para a implantação da metodologia prevista na Lei 10.639/03, que tornou obrigatória a inclusão da história e cultura afro-brasileira nas escolas públicas do Brasil. As datas para inscrição serão divulgadas via site, cartazes e na sede do Ceao.

Em 1995, foi constituído o Programa Educação Profissionalização para Igualdade de Racial e de Gênero (Ceafro), que “enfatiza a relação entre raça e gênero, colocando universidade, escola pública e sociedade civil negra, organizada a partir de blocos afros, movimento hip-hop, comunidades quilombolas, entre outros para elaborar propostas com a finalidade de incentivar o Estado a realizar políticas pública de ações afirmativas nas escolas e universidades”, esclarece Paula Barreto. 

Em 1982, foi inaugurado o Museu Afro-Brasileiro, com obras que contam a história e o cotidiano da África. No local, o visitante pode conferir esculturas, máscaras, instrumentos musicais e  jogos, entre outras peças doadas ou que foram adquiridas na década de 1970.

Confira os serviços oferecidos pelo Centro de Estudos Afro-Orientais

A biblioteca do Ceao, com 11 mil títulos e 30 mil recortes de jornais digitalizados, funciona de segunda a sexta, das 9 às 18h, na Rua Carlos Gomes, s/n, ao lado do Edifício Garagem

A instituição oferece 23 vagas nos programas de mestrado e doutorado. São 15 vagas para mestrado e oito para doutorado, com algumas bolsas de pesquisa. “Recebemos pesquisadores de países africanos, o que gera uma troca de experiência enriquecedora“, explica Paula Barreto, diretora do Ceao

O Ceao mantém parcerias internacionais, entre elas, as que sustentam um escritório de representação de programa de pesquisa de história do desenvolvimento e outros dois de promoção de intercâmbio entre estudantes dos EUA e Brasil