A
ocupação do Haiti por tropas militares, dentre elas as brasileiras,
completou cinco anos na última segunda-feira (01). A ação integra a
Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah, na
sigla francesa), que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU),
tem o intuito de pacificar a região e fornecer segurança ao país. A
intervenção, porém, é marcada por rejeição de organizações populares
haitianas, repercutindo também no Brasil, que lidera a operação. Desde
o início da missão, em 2004, o Brasil já gastou cerca de R$ 700 milhões
(em valores atualizados) na ocupação, recursos que poderiam ser usados,
segundo essas organizações, na reconstrução de escolas e hospitais do
país caribenho e em ajuda alimentar (veja quanto o Brasil gastou por ano).
Mais
de 20 organizações haitianas criticam o investimento mundial anual de
US$ 540 milhões na ocupação militar, pouco mais de R$ 1 bilhão, e pedem
que os países substituam os soldados da Minustah por médicos,
enfermeiros, bombeiros, técnicos e operários. Segundo as organizações,
o Haiti é atualmente o país mais pobre do continente americano e sofre
com a insegurança alimentar, que atinge cerca de três milhões de
haitianos. O orçamento brasileiro deste ano prevê gastos de mais R$ 128
milhões em missões de paz pelo mundo, dos quais R$ 23 milhões já foram
desembolsados até a última segunda.
O Brasil participa,
atualmente, de 11 missões de paz da ONU, com um total de 1.339
militares, mas somente no Haiti ele participa com tropas. Nas outras
dez missões, o país tem sua participação com a presença de assessores
militares, oficiais e observadores militares. Os recursos orçamentários
da ação de “participação brasileira em missões de paz” são utilizados,
principalmente, para a preparação do pessoal e da tropa, para a
manutenção do contingente no Haiti e para a desmobilização do pessoal e
material no retorno dos militares.
Segundo o Ministério da
Defesa, o valor de R$ 128,4 milhões é praticamente todo destinado à
missão no Haiti, uma pequena parcela deste valor é destinada para
cobrir despesas burocráticas para assegurar a participação do Brasil
nas outras missões. O ministério esclarece que a duração da missão de
paz naquele país é estabelecida pela ONU, por meio do Conselho de
Segurança, que prorrogou o mandato da Minustah para outubro de 2009.
Em
visita ao país caribenho no mês passado, o ministro da Defesa, Nelson
Jobim, disse que os 250 militares brasileiros da Companhia de
Engenharia que atuam no Haiti estão aptos a projetar e realizar as
obras de infraestrutura naquele país. “Os engenheiros militares no
Haiti têm absoluta capacidade para construir qualquer coisa e o Brasil
está disposto a fazer também os projetos. O problema é que o orçamento
da Minustah não autoriza que realizemos esse tipo de obras e o dinheiro
dos doadores nunca chega”, lamentou Jobim durante entrevista concedida
a jornalistas estrangeiros.
De acordo o Ministério da Defesa, a
permanência da tropa brasileira é decisão de governo, respeitando
acordos estabelecidos com a ONU. Para a Defesa, a participação de tropa
brasileira em missões de paz traz uma série de benefícios diretos e
indiretos como, por exemplo, a experiência adquirida pelas tropas
militares empregadas na missão, a oportunidade de testar o equipamento
de emprego militar em situação real e com uso prolongado e a
oportunidade de contribuir diretamente para a manutenção da paz e da
segurança internacional.
Tempo suficiente
Para
o professor do Instituto de Relações Exteriores da Universidade de
Brasília (UnB) Antônio Ramalho, que morou 15 meses em Porto Príncipe,
capital do Haiti, a cada dia, eleva-se o risco de a missão começar a
produzir tensões crescentes, que obriguem o uso mais constante da força
e provoquem sentimentos negativos na população local com relação às
tropas e, por extensão, ao Brasil. “Já deveríamos ter começado a
reduzir as tropas e a sinalizar ao governo e à população haitiana que
estivemos prontos para agir quando foi necessário. Agora cabe a eles
assumir a responsabilidade pela construção de seu próprio futuro,
objetivo para o qual poderão contar com a nossa cooperação”, afirma.
Ramalho
também acredita que a participação brasileira tem sido importante para
o Brasil. Ele destaca três razões – alinhar discurso e ação no plano da
política externa, aperfeiçoar a capacidade operacional das Forças
Armadas e, caso mantenha o sucesso alcançado até o momento, o Brasil
ampliará seu prestígio no cenário internacional, contribuindo para
aumentar a capacidade de influência sobre processos políticos
relevantes, principalmente no âmbito da ONU.
Missão brasileira no Haiti completa 5 anos com despesa de R$ 700 milhões
07/06/2009, 00:59 - Brasil/Mundo
Por teresa
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