A Delegacia de Falsificações e Defraudações está investigando denúncias contra dois advogados e uma gerente da agência do Banco do Brasil que funciona nas dependências do Fórum Cível de João Pessoa, na avenida João Machado, no Centro.

A acusação feita pela polícia é de quebra de sigilo bancário sem ordem judicial para beneficiar pessoas que têm ações em tramitação na Justiça.

O delegado Antonio Magno Toledo, responsável pelo inquérito, informou ontem que na próxima semana vai ouvir os três envolvidos, além de dois assessores de políticos paraibanos que estariam envolvidos no esquema. Uma das vítimas, o empresário Kenildo Alencar, entrou com representação na polícia denunciando os acusados à Justiça.

Banco funciona no Fórum Cível, localizado na Avenida João Machado, no Centro da capital Foto: Ovidio Carvalho/ON/D.A. Press O empresário relatou que ficou surpreso ao tomar conhecimento que sua conta aberta no Banco do Brasil tinha sido movimentada sem sua autorização e havia um bloqueio por ordem judicial no valor de R$ 7 mil. Kenildo Alencar foi assessor parlamentar de um deputado federal e na época assinou procuração para que seu salário fosse recebido por um jornalista que trabalhava com um senador da Paraíba para depois ser repassado para uma conta bancária em João Pessoa.

O empresário denunciou que percebeu que o salário não estava sendo repassado integralmente pelo jornalista, então, resolveu entrar com uma ação na 5ª Vara Cível de João Pessoa para que a pessoa que tinha a procuração prestasse conta com relação aos valores pagos pela Câmara Federal.

Kenildo Alencar expôs na denúncia feita à polícia que o jornalista não prestou conta do dinheiro recebido e ainda o acusou de má-fé, cobrando dele uma indenização por danos morais através de ação na Justiça.

O empresário se defendeu e juntou extratos bancários e, para sua surpresa, os advogados da outra parte anexaram dados de sua conta bancária mesmo sem a Justiça determinar a quebra do seu sigilo bancário. Kenildo diz que ao procurar a agência para receber explicações acabou descobrindo que dois advogados haviam tido acesso adados sigilosos de sua conta através da gerente do posto do BB no prédio do Fórum Cível.

O empresário revela que os dados de sua conta foram colocados no sistema online do Tribunal de Justiça, através do qual os juizes podem acessar e determinar o bloqueio das contas. Como o empresário tinha uma outra ação tramitando na Comarca de Alhandra, ele acabou tendo parte do dinheiro bloqueado com base nos extratos que a gerente do BB forneceu aos advogados.

Sem resposta As 18 horas de ontem a reportagem do jornal O Norte manteve contato com a superintendência do Banco do Brasil em João Pessoa para saber quais os procedimentos adotados com relação à denúncia contra a gerente. Uma funcionária informou que o assessor de comunicação do instituição financeira, Fábio Cardoso, não estava na superintendência e não tinha como dar uma resposta, o que só poderia fazer no dia de hoje.