Apesar de serem o grande símbolo do São João no Nordeste, as quadrilhas juninas perderam espaço nos últimos anos na capital baiana. A falta de apoio, mudança do comportamento social e  recursos escassos são motivos apontados por quadrilheiros como justificativa.

Para montar uma quadrilha profissional, por exemplo, gastam-se pelo menos R$ 20 mil. Em Salvador, o número de grupos especializados nessa dança reduziu-se de 80 para 14 nos últimos 15 anos, segundo informações da Federação Baiana de Quadrilhas Juninas (Febaq).

Para conseguir montar o espetáculo, quando é possível, os membros de uma quadrilha pagam taxa mensal que no final soma uma média de R$ 250. Mas somente um figurino profissional custa a partir desse valor, podendo chegar até  R$ 1 mil. Para compensar, dançarinos se envolvem na realização de bingos, festas e bazares para arrecadar dinheiro. Em sua maioria, eles são de bairros populares.

“Não temos apoio, mandamos projetos para deputados e vereadores e sempre ouvimos ‘liga amanhã’. Aqui não há respeito para as quadrilhas”, lamenta a diretora da Forró do ABC, Mariete Costa. Uma das mais antigas em atividade, a Forró do ABC suspendeu a apresentação nos últimos três anos por falta de apoio. Mariete alega que a evolução da quadrilha na Bahia fez com que os gastos aumentassem e dificultou o trabalho. “Hoje temos um espetáculo de dança, pagamos coreógrafos, banda e figurino”.

Este ano, a única ajuda que a ABC recebeu foi de R$ 1 mil de um vereador, diante do orçamento de R$ 35 mil, sem contar gastos com transporte para ir aos concursos. Estes, mesmo quando a quadrilha vence, possuem premiação média de R$ 5 mil, valor dividido para os três primeiros colocados, e não cobre as dívidas. “Insistimos porque gostamos e acreditamos nessa cultura”, diz Mariete.

Para o presidente da Febaq,  Carlos Brito, “aliado à profissionalização, há outros fatores que ajudaram no desaparecimento da dança como a inovação tecnológica, as festas de esquina e o vandalismo que disputam o jovem  junto com a quadrilha”.  A Febaq informa que enviou projetos para empresas e representantes do poder público mas não obteve resposta. Há apenas a parceria do governo baiano na realização do concurso regional de quadrilhas, no Pelourinho.

O coreógrafo da quadrilha Estrela Nordestina (Madre de Deus), João Tupiacy, relata que no interior há envolvimento e ajuda financeira das prefeituras. Em Madre de Deus, entretanto, os grupos não receberam recursos este ano por causa da crise financeira. “Mas corremos atrás com rifa e pedimos ajuda à comunidade”, diz. Para João, a evolução da quadrilha gera a ampliação do conhecimento cultural na dança e deve ser mantida.

O superintendente de promoção cultural da Secretaria Estadual de Cultura, Carlos Paiva, ressalta que o Estado desenvolve ações pontuais no apoio às quadrilhas já que não possui um núcleo de cultura popular. Entre elas está a exigência de elementos da tradição da festa junina nos projetos do Faz Cultura. A manifestação, segundo Paiva, pode participar dos editais de cultura popular ou ser beneficiado pelo Fundo de Cultura, que este ano lançará 40 editais.

Carlos Brito destaca que a Febaq espera registrar todas as quadrilhas e contribuir com a busca de apoio nas três instâncias governamentais e iniciativa privada. Na Febaq, que tem dois anos em atividade, há 64 quadrilhas cadastradas, sendo que Carlos aposta na existência de 400 na Bahia. “Temos praticamente uma em cada município, a queda maior foi em Salvador. No interior a tradição se mantém”, diz.