O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, admitiu nesta quinta-feira que foi “enquadrado” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por criticar outros ministros. Minc garantiu, no entanto, que não vai deixar o governo, mas reconheceu que o presidente lhe pediu para “tomar mais cuidado” com os colegas de ministério.
– O presidente Lula manifestou que achava mais adequado que esse tipo de questão sem consenso deve ser tratada dentro dos ministérios e arbitrada por ele. Aqui dei razão a ele – afirmou o ministro. Minc ressaltou que, como “ministro obediente” ao chefe, não vai fazer mais polêmicas públicas com os colegas. – Quanto aos princípios ideológicos, as minhas convicções, eu manterei e ficarei até o fim, desde que mantendo naturalmente os meus princípios, o que é muito mais importante do que ficar no governo.
O ministro se reuniu nesta quinta a tarde com o presidente Lula. Hoje, Minc viaja ao lado do presidente para assinar a criação de áreas de conservação ambiental. Na semana passada, Minc reclamou a Lula dos ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, e dos Transportes, Alfredo Nascimento. Além de fazer críticas aos colegas a Lula, Minc tratou publicamente da questão – o que irritou o presidente. Minc chegou a afirmar que os ministros pegavam suas “machadinhas” para ir ao Congresso “esquartejar” a lei ambiental.
Além do impasse com os colegas de governo, Minc também discutiu publicamente com parlamentares que integram bancada ruralista, ligada aos agricultores. O ministro chamou os parlamentares de “vigaristas” de cima de um carro de som, ao participar de marcha ao lado de trabalhadores rurais.
Em reação, a senadora Katia Abreu (DEM-TO) protocolou denúncia contra Minc na Procuradoria Geral da República por crime de responsabilidade e pediu a demissão do ministro à Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Nesta quinta-feira, Minc minimizou o impasse com os ruralistas.
– Fiz acordos com a soja, do agronegócio, fiz acordos com a cana, fiz acordos com o governador (Blairo) Maggi (Mato Grosso). Ora, se fiz acordo com a soja, com a cana e com o governador Maggi, por que eu não posso fazer com a senadora Kátia Abreu, que é muito mais bonita, muito mais simpática e muito mais articulada? É uma questão de tempo – brincou o ministro. Minc reconheceu que se “excedeu” ao participar da marcha, mas disse que os “excessos foram ainda maiores do outro lado” – em referência aos ruralistas. O ministro prometeu procurar a senadora na semana que vem para tentar “acertar os ponteiros” após a discussão pública.
O ministro, contudo, voltou a criticar a bancada ruralista nesta quinta-feira. Ao participar de audiência pública na Câmara, Minc disse que não são os ruralistas que “nomeiam ou demitem ministros”, apesar de estarem dispostos a “tirar uma picanha do Carlinhos Minc”.
Aplausos
– Aqueles que acham que com insultos, provocações, vão pedir o meu pobre pescocinho, que eu vou abrir a guarda, estão muito enganados. Não perdem por esperar. Nossa resposta vai ser intensificar a luta – ameaçou. A Comissão de Desenvolvimento Sustentável da Câmara transformou o debate sobre mudanças no bioma do cerrado numa espécie de desagravo ao ministro. Cercado por deputados favoráveis às causas ambientais, Minc foi aplaudido e saudado pelos parlamentares. Nenhum deputado da bancada ruralista, que também é forte entre os membros da comissão, compareceu à sessão para debater com o ministro. Apesar da briga com os parlamentares ligados à agricultura, Minc disse que está disposto a dialogar com os deputados e ruralistas no que diz respeito ao meio ambiente.
– Vamos dialogar com todo mundo, até com ruralistas – prometeu. Minc aproveitou a oportunidade e disse que deverá propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, juntamente com outros ministros e parlamentares, mudanças no texto da Medida Provisória 458, aprovada na noite de quarta-feira pelo plenário do Senado. A MP permite a regularização de terras ocupadas na Amazônia Legal situadas em áreas da União. O ministro disse que a ideia é tentar dar ao texto da MP a mesma configuração que ela tinha quando saiu do governo. O ministro, no entanto, não especificou quais foram os pontos acrescentados no Congresso que desagradam ao Ministério do Meio Ambiente. (Com agências)