O Senado Federal aprovou na noite desta quarta-feira (3) o texto base
da Medida Provisória que transfere, sem licitação, terrenos da União a
quem detinha posses de até 1.500 hectares na região amazônica antes de
1º de dezembro de 2004. O projeto vai agora à sanção do presidente Lula.
A MP 458/09 recebeu modificações na Câmara dos Deputados e, depois
disso, passou a ser denominada projeto de lei de conversão 9/2009. O
texto foi aprovado no Senado com 37 votos favoráveis, dois votos
contrários e uma abstenção. Ao todo votaram 40 senadores, e a
presidente da sessão, senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), que não
votou, contou sua presença para a composição do quorum de 41 senadores.
Os destaques de votação apresentados pela senadora Marina Silva
(PT-AC) foram derrotados. Foram 23 votos a favor do relatório da
senadora Kátia Abreu (DEM-TO), 21 votos a favor da aprovação dos
destaques e uma abstenção. Com isso, o texto do PLV foi aprovado da
forma como veio da Câmara e agora vai à sanção do presidente da
República.
Em seus destaques de votação em separado, Marina
Silva propunha que os pequenos beneficiários da regularização fundiária
na Amazônia fossem impedidos de vender as terras em até 10 anos e que
fosse vedado o uso de prepostos para a ocupação da terra.
Minc criticou modificações de deputados
A modificações feitas
pelos deputados foram criticadas pelo ministro Carlos Minc (Meio
Ambiente). Apesar de concordar com a regularização fundiária, o
ministro criticou a falta da obrigatoriedade de uma pessoa morar na
mesma terra que pretende regularizar.
Outra crítica do ministro
foi a restrição de pessoas físicas regularizarem terras maiores que 15
módulos fiscais (medida que varia de acordo com a região, e que, em
média, equivale a 76 hectares).
O líder do PT no Senado, Aloizio
Mercadante, criticou a possibilidade de pessoas jurídicas regularizarem
terras. O texto enviado pelo Executivo permitia a regularização das
terras somente a pessoas físicas, mas a Câmara expandiu a possibilidade
para empresas.
"Ninguém quer impedir aqueles que moram na
Amazônia de regularizar sua terra. Mas não vamos, em nome desses, abrir
as portas da Amazônia dessa forma," disse o líder.
Não haverá
regras para evitar a regularização de diversas terras por uma pessoas
através de várias empresas. Segundo Katia Abreu (DEM-TO), relatora do
projeto, a legislação não deveria ser modificada devido a quem pretende
fazer esse tipo de prática.
"Como é que você pode punir a formalidade? Quem tem pessoa jurídica seria condenado como criminoso," disse a senadora.
Líder
ruralista, ela é presidente da CNA (Confederação Nacional dos
Agricultores) e comemorou a nova legislação. "Estamos esperando uma
medida como está há mais de dez anos."
A ex-ministra do Meio
Ambiente, senadora Marina Silva (PT-AC) disse estar receosa com a
possibilidade de grilagem de terras. "Somente numa ingenuidade nós não
vamos encontrar pessoas com essa prática," disse.
Katia Abreu
negou essa possibilidade. "Não estamos tratando de grilagem de terra,"
disse. Segundo ela, a grilagem não é possível sem a concordância de um
cartório, responsável pela legalização da posse.
Senado aprova MP que transfere terras da União na Amazônia Legal a particulares
04/06/2009, 12:21 - Brasil/Mundo
Por gilcacinara
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