A coordenadora do programa de controle do tabagismo da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Vetrúcia Teixeira Costa, proferiu, nesta semana, palestra sobre as consequências maléficas do hábito de fumar para cerca de 1.500 crianças e adolescentes, na cidade de Ouro Branco, no sertão alagoano. Promovido pela Associação de Controle do Alcoolismo e do Tabagismo (Acat), daquele município, a palestra ocorreu no pátio da Escola Estadual Joanita de Melo e fez parte das atividades relativas à semana mundial sem tabaco.

“A escola é um excelente local para desenvolvermos ações de prevenção do tabagismo. Este tipo de atividade ajuda a reduzir a prevalência do tabagismo, pois esclarece jovens e crianças sobre o mal que o cigarro causa, podendo, inclusive, transformá-los em agentes multiplicadores destas informações, principalmente, junto aos pais”, disse Vetrúcia Teixeira, que expôs sobre a importância das advertências sanitárias constantes nas embalagens dos produtos do tabaco, os danos causados por estes e os benefícios em parar de fumar.

“Por razões de estratégia para controlar o tabagismo e os problemas associados devemos investir na prevenção primária dirigida aos jovens, procurando evitar a iniciação e a habituação tabágicas”, defende a coordenadora, chamando atenção para o fato de que a indústria do setor tenta a todo custo fazer a reposição da demanda, uma vez que o adulto é uma clientela já cativada que ao adoecer e morrer deixa de ser consumidor.

“Crianças e jovens são o principal alvo da publicidade e marketing da indústria do tabaco, provavelmente tendo em vista o fato de pesquisas mostrarem que mais da metade dos jovens que experimentam tornam-se dependentes”, disse. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% dos fumantes se iniciam no vício entre 5 e 19 anos de idade, ou seja, em idade escolar. “Isso mostra que estamos no caminho certo para o controle do tabagismo”.

De acordo com a exposição da coordenadora, o tabagismo é classificado pela OMS como a principal causa evitável de doença e morte no mundo ocidental. Cerca de 90% dos fumadores fumam todos os dias, podendo ser considerados dependentes do tabaco. O problema é considerado pela OMS como fator de risco para mais de 50 doenças, dentre estas as que mais oneram o sistema público de saúde como infarto, bronquite, enfisema e cânceres de pulmão, de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim e bexiga.

No Brasil, 200 mil mortes por ano são causadas pelo cigarro, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Em Alagoas, segundo mostrou Vetrúcia, foram gastos entre 2005 e 2008 mais de 48 milhões com procedimentos de alta complexidade em neoplasias, doenças dos aparelhos circulatório e respiratório.

Caminhada, teatro e show – Após a palestra, os participantes, ao lado de pais e professores, se juntaram a motoqueiros ligados à Associação de Mototaxistas do município e, munidos de faixas e cartazes com frases alusivas ao “não ao tabaco” saíram em caminhada pelas ruas da cidade em direção à Praça Central, onde foi apresentada uma peça teatral e realizado um show com bandas de forró da região.