Um estabelecimento que serveria para o uso da lei foi transformado em um lugar sem lei. A Cadeia Pública de Ingá chegou a ponto de ter um bar; o “Bar da Lola”, em suas dependências, comercializando bebidas alcoólicas para os apenados. Uma dose de cachaça chegava a ser vendida por até R$ 5.

Essa e outras tantas irregularidades fizeram o Ministério Público Estadual pedir dos secretários de Segurança Pública e da Administração Penitenciária, o afastamento imediato de agentes penitenciários, policiais militares e toda a diretoria do estabelecimento penal.

Ao invés de servir como um local de reclusão e reeducação dos presos para o retorno ao convívio social, os apenados eram regidos por uma lei “alternativa”. Quem cumpria pena em regime aberto e semiaberto, por exemplo, deixava a cadeia em horários não permitidos pela Justiça. Há fortes indícios, segundo a investigação, de que servidores alugavam aparelhos celulares para os presos se comunicarem com o mundo exterior pela quantia de R$ 3 ou R$ 4.

Além disso, de acordo com as denúncias do MP, a feira enviada pelo Governo do Estado era retirada pelos agentes penitenciários e serviam como “moeda de troca” no meio carcerário.

Segundo a promotora de Justiça, Cláudia Cabral Cavalcante, as investigações foram iniciadas ainda no ano passado graças a denúncias anônimas.
Diante da comprovação das denúncias, através da fiscalização periódica realizada pelo Ministério Público, uma operação de revista, foi realizada, na madrugada do último dia 21, pelo MP em conjunto com o Poder Judiciário local, o Batalhão de Choque da Polícia Militar, policiais civis e delegados e a Polícia Rodoviária Federal.

A operação culminou na transferência de presos acusados de liderarem o esquema para presídios de segurança máxima do Estado.
O esquema não foi divulgado antes porque, segundo Cláudia Cabral, os presos eram comprados pela direção da cadeia. Em troca do silêncio, eles tinham a pena reduzida ou recebiam os alimentos retirados da feira enviada para a cadeia de Ingá pelo Governo do Estado.

A Promotora de Justiça solicitou, além do afastamento, a abertura de processos administrativo e criminal contra todos os envolvidos no esquema.