O governo da Venezuela analisa a ocupação temporária de uma fábrica do laboratório Pfizer, fechada sem justificativa, segundo seus funcionários, informou o ministro do Comércio, Eduardo Samán. "A Pfizer da Venezuela fechou uma de suas unidades em Valencia (100 km a oeste de Caracas) e estamos muito preocupados porque nesta fábrica são feitos medicamentos essenciais para o país", declarou Samán após se reunir com um grupo de trabalhadores.

O ministro criticou o grupo farmacêutico americano, que "recebe do Estado todas as divisas (dentro do sistema de controle do câmbio) para importar, e nos pagam fechando uma fábrica e gerando desemprego". "Vamos elaborar um relatório para apresentar ao presidente (Hugo Chávez) para ver se ele autoriza a ocupação temporária", afirmou Samán.

Nas últimas horas, Chávez anunciou a estatização de várias empresas siderúrgicas, algumas estrangeiras, aumentando o peso do Estado na economia. Na noite de quinta-feira, ele estatizou cinco empresas produtoras de placas de ferro e tubos de aço do Estado de Bolívar (oeste), onde o setor enfrenta graves problemas trabalhistas e sofre as consequências da queda dos preços no mercado internacional.

Ontem, o governo concluiu a nacionalização do Banco da Venezuela, que pertencia ao grupo espanhol Santander, para quem pagará US$ 1,050 bilhão. Em 2007, Chávez iniciou uma política de estatização de indústrias estratégicas, como a petroleira, de telecomunicações e de eletricidade, incluindo em 2008 os setores siderúrgico, cimenteiro e bancário.

Nos últimos dias, mais de 75 empresas de serviços petroleiros foram expropriadas em virtude de uma lei que concede ao executivo o controle de atividades como a injeção de água, vapor e gás e o transporte de trabalhadores do setor de hidrocarbonetos.