A Polícia Legislativa encontrou indícios de crimes nas operações de crédito consignado realizadas pelo Senado durante a gestão do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi. Os policiais que participam da operação fizeram uma triagem em toda a movimentação financeira deste tipo de empréstimo fechada pela Casa em parceria com 38 instituições. Também foram ouvidos servidores do Senado que eram co-gestores dos contratos e empresas terceirizadas.
O inquérito aberto pela Polícia Legislativa investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos que envolveria o ex-diretor e empresas de fachada. A ex-babá de Zoghbi, Maria Izabel, é proprietária de três empresas que intermediavam as operações de crédito para o Senado. A parceria da Contact, da DMZ Consultoria Empresarial, da DMZ Corretora de Seguros com o Senado teria sido responsável pelo faturamento de R$ 3 milhões registrado pelas empresas.
A suspeita é que os empréstimos eram autorizados com valores superiores aos limites e parte desses recursos era desviada.
Em depoimento à polícia do Senado, Maria Izabel afirmou ter assinados documentos para Marcelo Zoghbi, filho do ex-diretor do Senado. De acordo com o advogado da ex-babá, Antonio Carlos de Almeida Castro, Maria Izabel assinou em confiança esses documentos para o Marcelo Zoghbi. Marcelo prestou depoimento ontem (18) aos policiais do Senado.
João Carlos e sua mulher, Denise Zoghbi, prestam depoimento hoje, terça-feira, separadamente.
A Polícia Federal --que abriu outro inquérito para investigar ações de Zoghbi à frente da diretoria de Recursos Humanos-- deve começar a ouvir nesta semana pessoas que supostamente também teriam envolvimento no suposto esquema. Zoghbi já teve a quebra de sigilo de seu patrimônio solicitada pelo Ministério Público Federal. As investigações na PF estão sob responsabilidade do delegado Gustavo Buquer.
Além do esquema dos empréstimos, a PF deve analisar a denúncia de Zoghbi contra o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia. Zoghbi acusa Maia e dois senadores de participação de um esquema de corrupção nos contratos terceirizados da Casa, entre eles do Prodasen (Sistema de Processamento de Dados), da comunicação social, do transporte, da vigilância e do serviço de taquigrafia.