O presidente dos EUA, Barack Obama, e o primeiro-ministro de Israel,
Binyamin "Bibi" Netanyahu, evitaram expor divergências no primeiro
encontro oficial entre os dois, contrariando previsões de analistas. A
principal diferença deu-se no tom e na terminologia adotada diante da
ameaça iraniana e da questão palestina - temas que dominaram a conversa
de ontem na Casa Branca.
De um lado, Obama defendeu mais
iniciativas diplomáticas para impedir o Irã de desenvolver armas
nucleares e advogou pela criação de um Estado palestino. Mais
conservador, Bibi ressaltou os riscos à existência de Israel, caso
Teerã obtenha uma bomba atômica, e disse que os palestinos devem
governar a si próprios, mas não usou a palavra "Estado".
Obama
afirmou que "até o fim do ano, deveremos saber se as discussões
envolvendo o Irã já começaram a produzir resultados". "Mas não podemos
dialogar para sempre", acrescentou, em advertência a Teerã.
Para
o líder da Casa Branca, "não é do interesse do próprio Irã desenvolver
armas nucleares. Isso provocaria uma corrida armamentista no Oriente
Médio que desestabilizaria toda a região". Na avaliação de Obama,
expressa logo depois do encontro com Netanyahu, "o Irã pode alcançar
sua segurança, o respeito internacional e a prosperidade de seu povo
por outros meios".
Educado no Instituto de Tecnologia de
Massachusetts (MIT), uma das mais conceituadas universidades
americanas, o premiê de Israel respondeu em um inglês fluente: "O maior
perigo que enfrentamos é o risco de o Irã desenvolver armas nucleares.
O Irã defende abertamente nossa destruição, o que é inaceitável."
Bibi
destacou ainda que os interesses de Israel coincidem com os de alguns
países árabes, como Egito e Arábia Saudita. "Nunca houve um momento
como agora, em que árabes e israelenses sofrem uma ameaça comum", disse.
Israel
não descarta a possibilidade de lançar uma operação militar preventiva
contra o Irã. No fim do ano passado, o então premiê, Ehud Olmert, teria
chegado a consultar os EUA sobre uma possível ação, mas recebeu sinal
vermelho. A chance de Obama concordar com uma operação desse porte é
ainda menor. Mas, em Israel, muitos analistas consideram as iniciativas
diplomáticas inócuas, permitindo ao Irã ganhar tempo.
Obama foi
muito claro ontem ao defender um Estado palestino. "É do interesse não
apenas dos palestinos, mas também dos israelenses e dos EUA, uma
solução de dois Estados, na qual palestinos e israelenses vivam lado a
lado em paz e segurança", disse.
Para o presidente americano,
o avanço do processo de paz exige, de um lado, que "se encerrem as
ações terroristas contra Israel" e, do outro, "que se permita que os
palestinos se governem em um Estado independente com desenvolvimento
econômico".
Bibi iniciou seu discurso dizendo que pretende ter
paz com todo o mundo árabe - mas não mencionou a Liga Árabe, que propôs
um reconhecimento geral de Israel por seus membros, em troca da
retirada israelense dos territórios ocupados. De acordo com o premiê,
para haver um compromisso, "os palestinos precisam reconhecer Israel
como um Estado judeu" - algo que o presidente da Autoridade Palestina,
Mahmoud Abbas, se recusa a fazer.
"Gostaria de deixar claro
que não quero governar os palestinos. Quero que os palestinos governem
a si próprios, contanto que não tenham alguns poderes que ponham em
risco o Estado de Israel", disse o primeiro-ministro.
O diálogo
com a Síria ficou de fora do comunicado final. Um assessor de Abbas
elogiou o discurso de Obama, mas se disse desapontado com Bibi. O
governo iraniano não se manifestou sobre o encontro de ontem. Sua
agência de notícias, a Irna, nem sequer noticiou a reunião.
Ao lado de Bibi, Obama adverte Irã e defende solução de dois Estados
19/05/2009, 20:59 - Brasil/Mundo
Por teresa
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