A Polícia Federal informou nesta segunda-feira (18) que oito
pessoas já foram presas em flagrante durante a Operação Turko,
deflagrada nesta manhã em 20 estados e no Distrito Federal para
combater o crime de pornografia infantil na internet.
As prisões ocorreram nos estados de São Paulo (3),
Rio Grande do Sul (2), Espírito Santo (1), Mato Grosso (1) e
Pernambuco (1). Segundo o delegado de Repressão de Crimes
Cibernéticos da PF, Carlos Eduardo Sobral, a corporação já
cumpriu 47 dos 92 mandados de busca e apreensão expedidos pela
Justiça.
Entre os materiais apreendidos, estão centenas de
CDs e DVDs com conteúdo pornográfico, além de computadores que
podem conter material de pornografia infantil.
De acordo com o delegado, a operação, batizada em
alusão ao site de relacionamentos Orkut, foi deflagrada após a
quebra de 3.265 perfis do Orkut – denunciados por conter
conteúdo de pornografia infantil. Sobral afirmou que essa foi a
primeira operação realizada depois de acordo assinado com o
Google, provedor responsável pelo site, em julho de 2008.
Segundo o procurador Sérgio Suiama, essa já é “a maior operação
do mundo no que diz respeito ao combate de pornografia infantil
em redes de relacionamento da internet”.
A investigação, coordenada pela Divisão de
Direitos Humanos e pela Unidade de Repressão a Crimes
Cibernéticos da PF, é resultado de informações repassadas pela
Comissão Parlamentar de Inquérito da Pedofilia no Senado
Federal, em parceria com a ONG Safernet e com o Ministério
Público Federal de São Paulo.
De acordo com o MPF, todos os presos na operação
estarão sujeitos à pena de um a quatro anos por posse de
material pornográfico infantil, além de pena de três a seis anos
por distribuição de pornografia infantil na internet.
Os mandados foram expedidos a partir de denúncias
recebidas pelo site www.denunciar.org.br entre novembro de 2007
e março de 2008. Segundo Sérgio Suiama, o Brasil não é um
produtor em larga escala de pornografia infantil na internet e
nem hospeda sites com esse fim, mas a propagação se dá
principalmente por sites de relacionamento social.
Esta é a primeira grande operação após a
publicação da lei 11.829, que alterou o Estatuto da Criança e do
Adolescente e tornou crime a posse de material pornográfico
infantil. A operação é uma das ações que marcam o Dia Nacional
de Luta contra o Abuso e Exploração Sexual de Crianças e
Adolescentes, celebrado nesta segunda-feira. A data foi
instituída pela Lei Federal nº 9970/00 e lembra um crime bárbaro
que chocou todo o país e ficou conhecido como o “Crime Araceli”,
ocorrido em 1973, em Vitória.
O delegado Carlos Eduardo Sobral adiantou que, no
máximo até a semana que vem, mais quatro projetos serão enviados
para o Congresso Nacional para tratar especificamente do
assunto. Ele acrescentou que a operação deflagrada nesta segunda
não se trata de um ato isolado, afirmando que a PF deve realizar
novas operações para combater a prática.
"A pedofilia está em todas as classes e em
todas as idades. É um crime gravíssimo, que merece toda a nossa
atenção no seu combate, repressão e prevenção", afirmou o
delegado. As prisões desta segunda ocorreram em residências e
empresas. Os detidos, no entanto, não tiveram seus nomes
revelados e nem idade e o sexo.