Representantes de 36 municípios alagoanos participaram, na manhã desta
segunda-feira (18), na Secretaria de Estado da Assistência Social
(Seades), de uma capacitação sobre o cadastramento das famílias
quilombolas e indígenas no Cadastro único (Cadúnico). O evento foi
dirigido pela Coordenação Estadual do Programa Bolsa Família (PBF).
Segundo a secretária de Estado de Assistência Social, Solange Jurema, o
objetivo é capacitar os municípios para a inserção no cadastro,
informar sobre as ações municipais da proposta de ampliação de acesso
ao registro civil de nascimento e a documentação básica da população
pobre de Alagoas.
A coordenadora estadual do PBF, Maria José Cardoso, expôs o Panorama do
Cadastramento de Quilombolas e Indígenas no Cadúnico de Alagoas. “Nosso
propósito é sensibilizar os gestores de assistência do programa, no
sentido de identificar e cadastrar as famílias com perfil para serem
beneficiadas no Bolsa Família”, destacou Maria José, lembrando que o
cadastro é aproveitado pelo Ministério de Desenvolvimento Social e
Combate à Fome (MDS), uma vez que essas comunidades são consideradas
pelo governo federal como famílias com alto índice de vulnerabilidade
social.
A técnica e socióloga da Gerência Quilombola, da Secretaria da Mulher,
Cidadania e Direitos Humanos, Elis Lopes, falou sobre a situação das 44
comunidades quilombolas em Alagoas e a Agenda Social Quilombola. “Desse
total, apenas 22 são reconhecidas oficialmente pela Fundação Palmares,
que certifica a partir de um levantamento junto a estas comunidades.
Outras estão em processo de reconhecimento”, disse Elis, acrescentando
que o Cadastro Único é importante para identificar a presença destas
comunidades para quando surgirem políticas específicas, contemplar os
quilombolas”, completou.
De acordo com ela, o cadastro dos Quilombolas começou a ser levantado
em 2007, quando a temática começou a ser trabalhada no Estado. “Fizemos
um plano de cadastramento e enviamos ao MDS, que aprovou. Desde então,
estamos fazendo capacitações e levantando o número de quilombolas”,
enfatizou.
Elis disse que a Agenda Social faz parte do Brasil Quilombola,
coordenado pela Secretaria Extraordinária de Políticas e Promoção da
Igualdade Racial, ligada à Presidência da República. “A agenda agrega
vários ministérios, com todos os projetos e programas relacionados a
essas comunidades. O governo federal está investindo quase R$ 3 bilhões
para os projetos quilombolas do país”, salientou.
A socióloga alertou que a situação das comunidades quilombolas em
Alagoas ainda é precária, ressaltando que os 121 anos de abolição só
reforçaram a exclusão social e o racismo. “O perfil das comunidades
revela que a abolição não foi feita de forma adequada. Precisamos unir
força dos poderes públicos e da sociedade civil organizada para
minimizar a situação”, concluiu. O evento também abordou o surgimento
do Instituto de Terras de Alagoas (Iteral) e as atribuições, função e
ações do Núcleo de Quilombolas.
Comunidades quilombolas e indígenas recebem capacitação sobre Bolsa Família
18/05/2009, 16:40 - Municípios
Por gilcacinara
Comentários
Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Carregando comentários..