O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias (PT), saiu ontem em defesa do Bolsa Família e reivindicou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a paternidade do programa coordenado por sua pasta, carro-chefe do governo petista. Diante da estratégia do PSDB com vistas à sucessão presidencial em 2010 — de incorporar o discurso de promoção das políticas sociais e colocá-las como filhas do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso —, o petista disse que o programa é fruto de um processo histórico, mas foi Lula quem deu a ele uma “dimensão não prevista”.


“Se você pega os números fica claro uma coisa: algumas sementes foram plantadas antes, não vamos negar isso, mas o presidente Lula deu realmente um aporte de recursos financeiros, humanos, de integração de programas, que foi uma virada histórica”, afirmou. De acordo com Patrus, embora o programa tenha como antecedentes o Bolsa Alimentação e o Bolsa Escola, do governo FHC, a gestão de Lula marcou uma mudança fundamental. “Aí é só você conferir os números, tanto do ponto de vista quantitativo como do qualitativo”, afirmou. Outra conquista, segundo o ministro, foi a unificação dos dados no cadastro único de assistência social, que inclui hoje 16,5 milhões de famílias com renda de até 3 salários mínimos.


“A questão não é a disputa política, é o futuro, é quem vai fazer mais e melhor. Se o PSDB e outros partidos estiverem assumindo o Bolsa Família, muito bom”, emendou. Patrus também rebateu o discurso da oposição que, ao mesmo tempo em que defende o programa, faz críticas ao assistencialismo e diz que é preciso reformular seus métodos, dando aos beneficiários uma “porta de saída”.


O ministro considera a expressão muito ruim. “Traduz um sentimento de ‘quando essas pessoas vão sair daí’, como se os pobres fossem incômodos”, disse. Patrus emendou dizendo que, na sua terra, no norte de Minas, a porta de saída é serventia da casa. “Nós queremos cada vez mais ampliar as portas de entrada”, disse, referindo-se aos programas de inclusão social. Para garantir a continuidade e a estabilidade dos programas, Patrus afirmou que o governo está investindo na consolidação jurídica deles. “Dessa forma, para mudarmos ou fazer qualquer retrocesso, tem que mudar lei”, disse.


A repercussão negativa do último relatório do Tribunal de Contas da União, segundo o qual 106 mil benefícios do Bolsa Família estariam sendo pagos irregularmente, também não ficou sem resposta. “Não dá nem 1%. Mesmo assim são casos para serem apurados”, disse. De acordo com o ministro, enquanto o país aceita sem discussão subsídios para setores empresariais, com perdão de dívidas e outros meios, não há boa vontade com as famílias carentes. “Não há nenhuma tolerância com os pobres”, disse.


Pré-candidato do PT ao Palácio da Liberdade, Patrus recebeu manifestações de apoio ao fazer palestra no 2º simpósio de Assistentes Sociais. Tirou fotos com estudantes e representantes dos movimentos sociais mineiros, que, durante ato político em comemoração ao dia do assistente social, manifestaram apoio a ele. Por estar em atividade oficial, o ministro se negou a comentar o processo de discussão no PT para a escolha do candidato.