O líder da bancada do PMDB na Assembléia do Rio Grande do Sul, deputado Gilberto Capoani, afirma que entregou um pedido, em seu nome e não da bancada, ao senador Pedro Simon, presidente do partido no Rio Grande do Sul, solicitando que incluísse na pauta do Congresso Estadual do PMDB, que ocorrerá no dia 23 de maio, a saída da legenda do governo Yeda Crusius (PSDB). No entanto, após as denúncias da revista Veja desta semana, ele avalia se não é melhor deixar essa discussão para o próximo mês.

 

"Estou repensando. Sair do governo agora, depois dessas denúncias, pode ser visto como oportunismo. Estou pensando em pedir para não fazer esse debate no dia 23, mas em outra oportunidade, daqui um mês", afirma o deputado, que diz que fez a solicitação formal ao presidente do partido na semana passada, antes da divulgação da revista.

 

Gravações divulgadas pela revista Veja desta semana mostram conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora, e o empresário Lair Ferst. Cavalcante morreu em fevereiro em Brasília. Seu corpo foi encontrado no lago Paranoá e a polícia trabalha com a hipótese de suicídio. O ex-assessor era investigado como suspeito de participação no suposto esquema do Detran. O áudio indicaria o uso de caixa dois na campanha de Yeda para o governo do Estado.

 

Segundo o ex-assessor, as empresas fabricantes de cigarro Alliance One e CTA Continental doaram, cada uma, R$ 200 mil em espécie, que foram entregues ao marido de Yeda, Carlos Crusius. Yeda e Crusius negam o recebimento.

 

Na última segunda-feira, o Psol divulgou e-mails que o partido afirma que sustentam ainda mais os supostos indícios de caixa dois na campanha da governadora.

 

Capoani defende que a legenda precisa construir um projeto próprio para as eleições de 2010. "Estando afastados do governo, temos facilidade de construir um projeto de alianças com vistas às eleições."

 

Capoani diz que a bancada não vai assinar o requerimento pedindo a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia para apurar indícios de corrupção de agentes públicos, incluindo as denúncias de caixa dois, na campanha para o governo do Estado em 2006.

 

"O PMDB decidiu por unaminidade não assinar por falta de objeto e por falta de prova", diz Capoani. Segundo ele, o requerimento apresenta muitos pontos a serem investigados, como a existência de ações ilícitas ou irregulares em prol de empresas ou interesses pessoas, denúncias apresentadas pela revista Veja e pelo Psol, renovação de contratos de empresas, procedência ou não de denúncias tornadas públicas, entre outras coisas.

 

"Uma CPI tem de ter objeto determinado. CPI não é lambança. Isso é para quem quer fazer palanque eleitoral. Não podemos fazer CPI por fazer. É um instrumento muito sério que não pode ser banalizado. Ela tem de ser usada em casos excepcionais e específicos", diz o parlamentar.

 

Capoani afirma que se um novo requerimento for apresentado, com prova e objeto específico, o partido poderia reavaliar a questão. "Pensei que, no mínimo, viesse um requerimento para examinar caixa 2 de campanha. E se fosse assim, tínhamos de examinar de todos os partidos."