Juntas há cinco anos, Giovanna Rostagno Bertalmio Camilo, de 24 anos, e Grazieli Assunção Melo, 21, brigam na Justiça para que Grazieli possa ser oficialmente também mãe dos filhos de Giovanna. Mesmo que esta batalha não seja vencida, elas já têm novo plano: ter uma terceira criança. O bebê seria gerado por uma, mas teria o óvulo da outra jovem.

Se o projeto for adiante, será o mesmo caso de Adriana Tito Maciel e Munira Kalil El Ourra, que tiveram no dia 29 de abril um casal de gêmeos em São Paulo. “A gente vai ter mais uma criança e será dessa forma. É para ter o sangue das duas”, afirmou nesta quarta-feira (6) Giovanna, que mora com a companheira e as crianças de 4 e 2 anos em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo.

“A vida é feita de batalhas”, disse ela, que não pretende desistir dos planos. O desafio do momento é tentar que a Justiça aceite que as crianças recebam na certidão de nascimento o sobrenome de Grazieli. “É um caso de adoção. Aí elas vão ter duas mães”, contou Giovanna, que trabalha como técnica em contabilidade.

Audiência

Nesta quarta, as duas tiveram uma audiência com o juiz na Vara da Infância e Juventude de Mogi das Cruzes. Segundo Giovanna, afirmaram ao magistrado a vontade de que os bebês tenham dupla maternidade. As crianças foram geradas por Giovanna e são filhas de pais diferentes. Como Grazieli não estava disposta a engravidar, coube à companheira assumir as duas gestações.

“Escolhemos o pai pela internet e marcamos um encontro em São Paulo. Ele foi pago para isso”, revelou Giovanna, que disse não manter contato com o rapaz. O segundo bebê foi gerado da mesma forma, com um homem diferente.

De acordo com ela, o processo na Justiça “vai bem” e, se aceito, é apenas oficializar o que já acontece no dia-a-dia. “A gente leva uma vida maravilhosa. Talvez lá na frente tenha algum preconceito da sociedade quando as crianças forem adolescentes”.

Duplo presente

Em julho, a menina de 4 anos e o menininho de 2 passarão por uma avaliação psicológica. É mais um passo no caminho da “adoção”. Atualmente, na certidão de nascimento das crianças consta apenas o nome de Giovanna e o sobrenome dos avós maternos, que a criaram.

Por telefone, Grazieli mostra ansiedade com a decisão da Justiça. “Para mim, é a realização de um sonho. Queria ter vários filhos”. Ela ri e diz que a garotinha até a chama de “pai” ou de “Grazi”. “Estamos lutando por isso há mais de um ano”. Como das outras vezes, o Dia das Mães, comemorado neste domingo (10), será em dose dupla. “Até na escolinha eles mandam presente para as duas”, contou Giovanna.

Precedentes

O casal de Mogi das Cruzes não escondeu a alegria ao ver pelo noticiário o caso de Adriana e Munira. Os bebês - uma menina de 2,750 kg e um garoto de 2,415 kg - são filhos de Adriana. A mãe, homossexual, recebeu os óvulos de Munira, que se submeteu a uma inseminação artificial. O nome do pai que doou o sêmen para fecundação não pode ser conhecido.