Os acidentes de trabalho causam cerca de 3 mil mortes por ano no país.
Dados da Previdência Social mostram que, no setor privado, 653.090
acidentes foram registrados em 2007, número maior que o do ano
anterior, de 512.232 casos.
Para lembrar que esse tipo de
problema continua ocorrendo em todo o mundo, a Organização
Internacional do Trabalho (OIT) instituiu o 28 de abril como o Dia
Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho.
A situação, no
entanto, já foi pior no Brasil. "Em 1973, quando o governo federal
iniciou uma campanha nacional visando a conscientizar e a mobilizar a
sociedade sobre o alto número de acidentes na iniciativa privada, as
estatísticas apontavam que 20% dos trabalhadores com carteira assinada
já haviam sido vítimas de algum tipo de acidente”, informa o engenheiro
de segurança do trabalho e presidente do Conselho Regional de
Engenharia e Arquitetura (Crea) do Distrito Federal, Francisco Machado.
Ex-secretário
nacional de Engenharia e Medicina do Trabalho, entre 1982 e 1986,
Machado foi também fundador da Associação Nacional de Engenharia de
Segurança do Trabalho (Anest) e há 25 anos se dedica ao tema. “Em 1985
a situação melhorou, a partir da criação de cursos de pós-graduação
para profissionais de engenharia e medicina do trabalho. Mas, na década
de 90, houve um retrocesso e a segurança do trabalho deixou de fazer
parte das prioridades do governo, com o rebaixamento da Secretaria de
Segurança do Trabalho para o status de departamento”, lembra.
As
estatísticas, que até então vinham caindo, passaram a ficar estáveis.
Segundo o presidente do Crea-DF, desde os anos 90 o número de mortes em
decorrência de acidentes de trabalho permanece praticamente inalterado,
com 3 mil mortes por ano. “Não é um número bom para o país porque
demonstra que abandonamos o ótimo trabalho que vinha sendo realizado
desde as décadas de 60 e 70”, avalia.
Segundo Machado, o
principal motivo de a tendência de queda não ter se mantido foi a falta
de repasses. “Antigamente 1,5% da verba do Ministério do Trabalho era
destinado à Fundação Centro Nacional de Segurança e Higiene do
Trabalho. Ao deixar de fazer esses repasses, ainda na década de 90, o
governo deixou claro que a segurança do trabalho deixou de ser
prioridade de Estado.”
Para o presidente da Associação
Brasiliense de Engenharia de Segurança do Trabalho (Abraest), Delfino
Lima, os empregos na construção civil estão entre os que mais
apresentam problemas. “No Brasil, as notificações de acidentes do
trabalho sequer refletem a realidade, uma vez que a segurança do
trabalho ainda não é uma unanimidade nas empresas regidas pela CLT [Consolidação das Leis do Trabalho], em especial nas pequenas e micro empresas.”
Apesar
de a maioria das atividades dos servidores públicos ser de risco leve,
os acidentes de trabalho também ocorrem na esfera governamental.
“Lamentavelmente o Sisosp [Sistema Integrado de Saúde Ocupacional do Servidor Público Federal],
uma iniciativa apresentada em 2005 que prevê o controle dos riscos de
agravo à saúde nos processos e ambientes de trabalho, é apenas uma
proposta que até hoje não saiu do papel”, avalia o presidente da
Abraest.
O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
(MPOG) informou que não há estatísticas sobre número, tipos ou
prejuízos relativos a acidentes de trabalho. Mas, segundo dados do Boletim Estatístico de Pessoal, publicado em março pela pasta, 13,1% das aposentadorias concedidas em 2008 são por invalidez, o que corresponde a 1.395 casos.
No
ano anterior foram 1.732 casos (18,3%) e, em 2006, 1.991 (26,7%).
Proporcionalmente, o ano com maior índice de aposentadorias por
invalidez foi 2004, com 29,9% (ou 2.266 casos) do total.
“Antigamente
os trabalhadores eram vítimas de acidentes mais violentos, como membros
decepados ou mesmo morte. Com o desenvolvimento tecnológico, o perfil
desses acidentes mudou, passando a incluir o estresse, a LER [Lesão por Esforço Repetitivo]
e infartes. O computador, por exemplo, tem causado doenças na vista e
na coluna das pessoas”, ressalta Delfino. “Muitas dessas doenças se
devem principalmente ao ritmo incessante de trabalho ao qual boa parte
dos trabalhadores está submetida”, completa.
Para o presidente
da Abraest, “falta o governo dar exemplo para a iniciativa privada”, e
cumprir as medidas de segurança necessárias. “Isso ajudaria, inclusive,
a reduzir o custo do Tesouro Nacional com a paralisação do servidor,
além do custo da Previdência, que diminuiria, uma vez que o número de
acidentados e de doentes também seria reduzido”, conclui.
Acidentes de trabalho causam 3 mil mortes por ano no Brasil
28/04/2009, 05:54 - Brasil/Mundo
Por annaclaudia
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